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Parabéns … 457 anos de São Paulo!

Com a incumbência de divulgá-la à população, recebi, da cidade de São Paulo, a seguinte carta:

“Capela do Pátio do Colégio, 19 de janeiro de 2011.

Queridos munícipes,

No próximo dia 25 de janeiro estarei completando 457 anos de existência. Antes de mais nada, quero antecipar meus agradecimentos àqueles que, eventualmente, comparecerem às solenidades de comemoração do meu aniversário de fundação, se as chuvas permitirem.

Quando eu era apenas uma aldeia, sonhava transformar-me em vila. Quando alcei à condição de vila, sonhava transformar-me em cidade. Quando fui elevada à cidade, sonhava transformar-me em metrópole. Depois de passar ao “status” de metrópole, sem sonhar, transformei-me numa gigante atrofiada. Tudo aconteceu muito rápido, levando-se em conta a minha juventude, diante de outras metrópoles mundiais, mais antigas que eu, porém, mais saudáveis.

Tenho sofrido demais com a atrofia do meu gigantismo, mormente ao ver-me totalmente alagada, com as enxurradas provocadas pelas intensas chuvas, sem poder dar conta do recado. Meu coração está em frangalhos, batendo a mil por hora, acometido de grave arritmia crônica, graças à rotineira e frenética agitação urbana. Só encontro algum descanso, mesmo assim se não ocorrer nenhuma catástrofe, nos feriados prolongados. Nem sei como ainda não enfartei de vez. Minha capacidade respiratória está no limite e minha visão totalmente embaçada, ambas afetadas pelos gases e fumaças dos veículos, da indústria e do comércio, despejados na atmosfera.

Ah, quem me dera voltar a ser uma cidade!

Grande, produtiva e prestativa, conforme o Estado paulista e o Brasil necessitam, mas, igualmente romântica e, às vezes, até bucólica, como já fui. Restabeleceria o encanto das tertúlias de poetas e versejadores na esquina das Avenidas Ipiranga e São João. O prazer de circular pela Rua Barão de Itapetininga e de freqüentar a Confeitaria Vienense, com música ao vivo, mais popular que a luxuosa Confeitaria Fasano, então localizada no centro, ou a Confeitaria Alhambra, da Rua Direita. Nesta mesma rua, aos domingos à noite, os negros realizavam seus desfiles, com homens e mulheres, elegantemente trajados, trocando flertes, enquanto brancos de ambos os sexos cruzavam seus olhares nas imediações do Parque Trianon, na Avenida Paulista.

A tradicional corrida de São Silvestre, promovida pelos jornais da Fundação Cásper Líbero, sempre na noite de 31 de dezembro, sem a preocupação de atender às conveniências de emissoras de televisão, iniciava-se por volta das 23:30 horas, a fim de que sua chegada coincidisse com a passagem de Ano Novo.

Caros munícipes, não quero iludi-los. Meus grandes problemas são de solução extremamente difícil, para não dizer impossível. Bons Prefeitos que cuidaram de mim, desprovidos de ambições políticas, portanto, sem demagogia, além de competentes, foram honestos e sinceros, casos de Olavo Setúbal e José Carlos de Figueiredo Ferraz. O primeiro ao declarar que as obras para contenção das enchentes produziriam efeito meramente paliativo, mas, nunca definitivo. O segundo, mais drástica, porém, sabiamente, ao proclamar: “São Paulo precisa parar de crescer!”. Vaticínios formulados há cerca de 40 anos, o que dispensa outras considerações.

Se o “parar de crescer” significava, na década de 70, parar de construir, parar de realizar obras e mais obras, públicas e particulares, hoje significa simplesmente desconstruir. Sim, eu disse desconstruir, ou seja, demolir, para voltar a ter espaços livres e áreas verdes. Esta é a dolorosa verdade. Mais dolorosa ainda é a minha segunda proposta. Para que uma paulatina desconstrução fosse viável, seria necessário um paulatino êxodo populacional (…)

Pensem nisso, queridos munícipes. Oxalá outras soluções, que considero milagrosas, sejam apresentadas. Gostaria de voltar no meu aniversário seguinte transmitindo-lhes mais esperança, ou, quem sabe, recebendo de vocês uma injeção de ânimo, com melhores perspectivas.

Sintam-se abraçados com o meu eterno carinho de mãe. Ditada e assinada por mim, Cidade de São Paulo, e devidamente autenticada pelo padre jesuíta Manoel da Nóbrega, meu fundador, com o selo fotográfico da sua imagem.”

§

Romeu Prisco

Paulistano, advogado, ator e radioamador, dedica-se, atualmente, à arte de escrever artigos, crônicas, contos e poemas, publicados em espaços literários e jornalísticos, impressos e virtuais. Define-se como um sonhador, que ainda acredita nos seus sonhos.

fonte : Direto da Redação

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