Yamaha XTZ 250 Ténéré … avaliamos!

Mais de uma década fora de nosso mercado, a família Ténéré ressurge no Brasil com um produto desenvolvido especialmente para o nosso país.

A Tenéré 250 é uma moto concebida para o uso diário, em viagens ou lazer. Seu design foi inspirado nas suas duas “irmãs” maiores, a Ténéré 660 e a Super Ténéré 1200 que a deixou bonita, volumosa e chama muita a atenção por onde passa.

Vista de frente já se destaca o farol duplo de 55 watts com lente de policarbonato que tem uma ótima iluminação em alcance e na dispersão do facho de luz. A bolha, mesmo aparentando ser pequena, desvia boa parte do vento na estrada, sendo sua eficácia mais perceptível acima dos 100 km/h.

Olhando de perfil, já nos deparamos com seu grande tanque de gasolina com capacidade para 16 litros (4,8 litros de reserva) suficiente para uma autonomia teórica de 352 km de acordo com o consumo de 22 km/l obtido em nosso trajeto padrão (clique aqui e conheça). Essa marca tende a melhorar após o amaciamento do motor (a unidade testada era zero km).

O banco de dois níveis passa a impressão de ser um pouco duro no primeiro contato, porém em uma viagem de 2:30 horas sem paradas ele se mostrou bem confortável, auxiliado pela posição ereta por conta do guidão recuado (em relação a Lander) e pedaleiras um pouco adiantadas em relação ao tronco.

A traseira ficou parecida com a existente na Lander e merecia um visual mais moderno e inspirado, em minha opinião. Outro detalhe é o bagageiro que é nada mais que uma extensão em plástico para apoiar a mochila que é levada nas costas da garupa; a Yamaha vai oferecer um bagageiro “de verdade” como opcional.

O painel acompanhou a evolução vista na Fazer 250 (e FZ6, XJ6 todas utilizando o mesmo desenho), bonito, funcional e completo. Na unidade testada, a reserva acendia após o consumo de 11 litros, 5 litros de reserva é pouco menos de 1/3 do tanque, um tanto exagerado.

Projetada sobre a plataforma da robusta Lander 250, herdou boa parte da mecânica. O motor tem potência de 21 cv a 7.500 rpm e torque máximo  de 2,10 kgf.m a 6.500 rpm. Sua relação de câmbio foi alongada buscando um maior conforto e economia no tráfego em estradas, porém essa alteração prejudicou um pouco a aceleração e retomada.

Sua suspensão também foi calibrada para um uso rodoviário (mais firme), a dianteira tem curso de 220 mm sem regulagens, enquanto a traseira monoamortecida tem 200 mm de curso com regulagem por rosca ganhando infinitos ajustes.

Os freios a disco equipam ambas as rodas, o dianteiro com 245 mm de diâmetro e pinça de dois pistões e na traseira com 203 mm de diâmetro freiam com segurança e tem boa potência. O dianteiro mostrou o acionamento um pouco borrachudo, talvez por que o modelo testado era zero km e carecia de um melhor assentamento das pastilhas.

As rodas com aros em aço 80/90-21 na dianteira, e traseira 120/80-18, utilizam pneus Pirelli Scorpion, com aplicação mais on-road que off-road, o que se traduziu em menor nível de ruído quando utilizado em estradas.

Rodando com a Ténéré

Viajamos por todos os tipos de estradas e situações com a Ténéré. Em resumo se mostrou polivalente como anunciado pela Yamaha.

O trânsito da cidade foi brincadeira para a Ténéré, sendo possível simplesmente ignorar os buracos e lombadas. O guidão alto passa por cima dos retrovisores dos automóveis e o conjunto óptico imponente abre caminho nos corredores. Nesse ambiente, o motor de 21 cv é mais que suficiente para uma condução rápida. Outro destaque foi para o cambio com engates macios e precisos, o que contribuiu para a boa avaliação neste ambiente.

Nos trechos de serra foi possível ver os benefícios de ter o conjunto óptico e painel fixos. Com este peso fora da suspensão dianteira a mudança de direção ficou mais rápida mesmo utilizando pneu de 21 polegadas na dianteira. A capacidade de inclinação da Ténéré ajudada pelos pneus quase on-road impressiona, fazendo com que as pedaleiras passem bem perto do chão e também nos fazendo segurar o ímpeto e parar de abusar das curvas.

O desempenho nas estradas de terra não deixou a desejar e foi só um pouco inferior ao da Lander. Mesmo percorrendo trechos ruins cheios de erosões e subidas que mais pareciam paredões, não acusaram fim de curso ou retorno indesejado da suspensão em nenhuma parte do trajeto.

Nas estradas secundárias o mesmo bom desempenho da serra foi mantido, não apresentando oscilações, e foi possível manter uma velocidade de cruzeiro agradável e lógico, dentro dos limites.

Auto-estradas com velocidade máxima de 120 km/h foram percorridas com segurança, somente nas grandes ladeiras era preciso usar todo o curso do acelerador para manter a velocidade máxima da via (vale lembrar que neste momento Ténéré estava com menos de 700 km rodados portanto em pleno amaciamento). A posição natural de pilotagem somada a bolha desviando parte do vento e seu banco confortável, nos permitiu rodar 250 km sem paradas e sem cansaço.

Nesse longo trecho, a Ténéré rodou o tempo todo próximo ao limite de rotação, a vibração do motor passou para o guidão e as mãos chegaram ao destino dormentes; já as pedaleiras filtraram bem esta vibração. Esperamos que após o amaciamento esse efeito diminua e traga mais conforto ao piloto.

A Ténéré foi utilizada para a cobertura da prova do Iron Man realizada em Pirassununga/SP. Nele foi possível avaliar o quanto este lançamento era esperado, pois logo após a nossa chegada uma roda se formou em volta da moto e todas as perguntas possíveis e imagináveis foram feitas. Um verdadeiro sucesso.

Agora vamos aguardar a Yamaha trazer toda a família Ténéré, afinal um país de dimensões continentais como o Brasil merece a família completa.

especificações técnicas

Comprimento total 2.120 mm
Largura total 830 mm
Altura total 1.370 mm
Altura do assento 865 mm
Distância entre eixos 1.385 mm
Altura mínima do solo 270 mm
Peso seco 137 kg
Peso (ordem de macha) 155 kg
Motor 4 tempos, SOHC, refrigerado a ar com radiador a óleo, 2 válvulas
Cilindrada usual 250 cc
Diâmetro x curso 74.0 x 58,0 mm
Taxa de compressão 9.80 : 1
Potência máxima 21 cv a 8.000 RPM
Torque máximo 2,10 kgf.m a 6.500 RPM
Sistema de partida Elétrica
Sistema de lubrificação Cárter úmido, com radiador de óleo
Capacidade do óleo de motor 1,50 litros (contando filtro de óleo)
Capacidade do tanque de combustível 16 litros (reserva 4,8 litros)
Alimentação Injeção Eletrônica
Sistema de ignição TCI
Bateria GS Yuasa, 12V 6 Ah, selada
Embreagem multidisco banhado a óleo
Câmbio 5 velocidades, engrenamento constante
Quadro Semi Berço duplo em aço
Pneu dianteiro 80/90-21 MT90 A/T 48S – PIRELLI/SCORPION
Pneu traseiro 120/80-18 MT90 A/T 62S – PIRELLI/SCORPION
Freio dianteiro Disco de 245 mm de diâmetro
Freio traseiro Disco de 203 mm de diâmetro
Suspensão dianteira Garfo telescópico
Suspensão traseira Monoamortecida com link
Curso da suspensão dianteira 220 mm
Curso da suspensão traseira 200 mm
Lâmpada do farol 2 X 12V 55/55 W (halógena)
Lâmpada da lanterna traseira 12 V 5/21 W
Lâmpada do pisca 12V 10W x 4
Painel de instrumentos Cristal liquido multifuncional – hodômetro total e dois parciais (trip1 e trip2), mais hodômetro do combustível (f-trip), marcador do nível de combustível digital e relógio. Luzes espias. Velocímetro e tacômetro eletrônico análogo.
Cores Branca ou preta