BIGtheme.net http://bigtheme.net/ecommerce/opencart OpenCart Templates
Home / Com a palavra / A era do automóvel em marcha a ré

A era do automóvel em marcha a ré

Andar para trás nem sempre é ruim. Ao menos é o que se pode constatar de reportagem publicada na revista Época, que mostra a crescente diminuição do interesse dos jovens – e de muitos adultos – na compra de automóvel, enquanto outros descobrem as vantagens do uso de meios coletivos ou mais satisfatórios, do ponto de vista pessoal e ambiental, como as bicicletas, por exemplo.

O paradoxo do Brasil, onde a venda de automóveis cresce, e as pesquisas de mercado mostram a queda do interesse, se explica pela diversidade do país. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) afirma que a média brasileira de 6,1 habitantes por carro ainda é alta e deverá cair à metade até meados de 2020. O crescimento nas vendas é puxado pela demanda reprimida das regiões Norte e Nordeste. No Sul e no Sudeste, o aumento da frota passou a acompanhar o crescimento da população. Nessas regiões, observa-se a queda de interesse pelos carros. Segundo a Pesquisa Origem e Destino, do Metrô, a relação de carros por habitante em São Paulo manteve-se estável entre 1997 e 2007.

Nesse período, o uso de transporte público subiu de 45% para 55. Nos Estados Unidos, os jovens estão comprando menos carros, tirando carteira de habilitação mais tarde e dirigindo menos quilômetros. A fatia de mercado do público entre 21 e 34 anos encolheu de 38%, em 1985, para 27%, diz o instituto de pesquisas CNW. A Universidade de Michigan afirma que, em 2008, 18% da população entre 20 e 24 anos não tinha carteira de motorista – em 1983, esse índice era de apenas 8%. %. E, de acordo com o consultor Bob Lutz, ex-vice-presidente de BMW, Ford, Chrysler e General Motors, a queda do interesse por automóveis é uma tendência mundial. “A sedução do carro não faz mais sentido”, afirmou a Época. “Dirigir será um lazer excluído das cidades, como andar a cavalo.”

Nessa mesma toada, um exemplo brasileiro de que o transporte por automóvel se aproxima cada vez mais da imobilidade urbana é Salvador. Com uma frota de mais de 815 mil veículos, contabilizando apenas os cadastrados pelo Departamento de Trânsito do estado, a capital baiana enfrenta uma das piores fases na área de mobilidade urbana, sem previsão exata de cura para este mal. Responsável por motoristas cada vez mais estressados e pedestres insatisfeitos, a situação do trânsito na cidade parece só piorar a cada ano, a ponto de especialistas alertarem: “Estamos à beira do caos e cerca de 3 mil novos entram em circulação na cidade por mês”. Nos últimos dez anos, o número de automóveis na cidade praticamente dobrou, passando de quase 460 mil, em 2002, para 815.104 até outubro deste ano.  Até 2014, a previsão é que Salvador tenha mais de 50 mil novos veículos no seu trânsito.

As alternativas ao uso do automóvel, porém, aparecem cada vez mais com maior força nas principais cidades brasileiras. Entre eles, destacamos o projeto de mobilidade urbana de Pelotas-RS. Orçado em R$ 70 milhões, com 10% de contrapartida da Prefeitura, o projeto prevê corredores de ônibus, pavimentação, ampliação de calçadas, paradas de ônibus, ciclovias e acessos para pessoas com deficiências. Contemplada com a entrega do Viaduto Moysés Cheid, em setembro, a região da Avenida Presidente João Café Filho, no Jardim Lavínia, recebeu outras melhorias na tarde desta quarta-feira (28).

O prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, entregou duas plataformas centrais de ônibus na avenida, com piso elevado de 28 centímetros e um retorno embaixo do elevado. A instalação das plataformas tem como objetivo agilizar o embarque e desembarque de passageiros com mais segurança. As obras já contam com intervenções de estrutura que servirão ao futuro corredor de ônibus que passará pela avenida. E, em São Paulo, o governo estadual e a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) definiram o local de uma das estações mais aguardadas da Linha 17-Ouro do Metrô, que será feita em forma de monotrilho: a do Aeroporto de Congonhas. Será construída na Rua Rafael Iório, quase na esquina com a Avenida Washington Luís, na zona sul, mas do lado oposto do aeroporto. O acesso dos passageiros à estação será feito por meio de uma passagem subterrânea de 80 a 100 metros, que será construída sob um túnel já existente ali, o Paulo Autran.

O avanço do transporte público, ao lado do aumento de ciclovias e, futuramente, de outros meios de transporte, como o hidroviário em cidades como Recife, por exemplo, é fundamental para que as cidades – e a sociedade – brasileiras ofereçam alternativas ao congestionamento, á poluição e ao estresse cotidiano que afligem milhões e pessoas.

***

Mobilize Brasil / Silvério Rocha

 

Sobre * Equipe MOTONAUTA

Além disso, verifique

52% dos brasileiros consideram o transporte público ruim ou péssimo

De acordo com o estudo realizado pela Expertise, 56% das pessoas gastam mais de uma ...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *