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All we need is right outside

Essa vida é uma aventura.

Antigamente , uma pessoa morria , e dizia-se: “Chegou a hora”

Poucas conjecturas.

Simplesmente , “this is it”.

O mundo mudou muito.

Amém!

Diz-se até que poderemos viver eternamente. Ou quase.

Amém!

A medicina evolui de mãos dadas com a eletrônica e , nada , passa despercebido aos olhos do “Lab”.

Esta nova realidade , trouxe consigo mudanças comportamentais que , cada vez mais , integram nosso cotidiano.

Uma destas , é o tal do “check up”.

Na verdade , o “check up” não é novo , mas , o espectro deste , aumenta ano após ano.

Impressionante. Big brother orgânico , total….!

Com um simples “enter” no teclado , o cara de branco te diz quando e onde você , “vacilou”.

A quantidade de exames disponíveis é surreal e , a indústria por trás disso , massiva.

Fazer um check up é mais ou menos como checar as referencias de uma planilha.

Avaliar , analisar , tomar consciência do que não se pode ver e , se preciso , repensar hábitos e atitudes. Redirecionar.

O lance é que , santo , ninguém é , e , viver “só de pão Pullman” , é um saco…!

Atire a primeira pedra quem não toma uma cerveja a mais…. , quem não curte batata frita , quem odeia milk shake , quem não dispensa um bom mx cheio de impactos , quem vive pro triátlon , quem não mede o sal da picanha , quem nunca fumou , ou , quem nunca se preocupou , stressou , ou viveu contrariado por longos períodos.

Atire a primeira pedra quem nunca esqueceu dela , na hora H.

Atire a primeira pedra quem não gosta de Coca-Cola , de tomar sol , de chocolate ou de qualquer outra “extravagância”.

Atire essa pedra. Se puder.

Todo ano é o mesmo frio na barriga. A hora de levar os exames pro dotô.

Não tem quem , em sã consciência , não reveja o “filme da vida”….

Assim fui eu , curioso pra saber do meu futuro.

Como quem adentra a tenda de uma cigana de seios fartos e olhos verdes , brilhantes , profundos , misteriosos…

Como alguém que apresenta o passaporte na fronteira e espera o carimbo pra seguir viagem.

Bom , tirando o que eu já sabia , nada me surpreendeu.

Amém!

A gente , normalmente , colhe o que planta. Essa é a regra. Qualquer coisa , além disto , é exceção.

Meu pomar tava lá. Exatamente com um pé de tudo aquilo que planto , que plantei.

Ervas fitoterápicas , arvores de lei , ervas daninhas , cogumelos alucinógenos , cevada , malte e …. , bons frutos da estação!

Naquela hora , me passou algo meio mórbido pela cabeça.

E se … , nem tudo fosse como eu previa?

E se algo mudasse minha vida a partir daquele momento?

Essa idéia sombria , momentânea , logo se descortinou na visão da manhã de um sábado qualquer.

Céu azul , sete da manhã , gotas de orvalho , cheiro de mato …. , marcha lenta , embreagem , primeira , gás…!

Quando acometido da idéia de uma eventual mudança na ordem geral , tudo o que pensei foi: minha família e , o enduro.

Fui invadido por uma enorme felicidade , só de pensar que fiz tudo o que quis , da melhor forma que pude , com todo o amor que dispunha.

No momento seguinte , comecei a pensar em tudo o que já havia se passado.

Evidentemente , família não conta. É imensurável.

Aprendi que , depois de ver o sorriso no rosto de um filho , a vida de qualquer um , nunca mais será a mesma.

Assim sendo , passei a “contar” o contabilizável. Os anos e anos montados numa motocicleta.

Isso me levou a refletir sobre os ditos “esportes de ação”.

Sobre o significado desta atividade , em nossa vida.

Alguém já disse que o risco é algo que nos faz sentir mais vivos.

Eu , particularmente , não vejo muito risco no enduro. Aliás , pra ser honesto , não vejo nenhum.

Acidentes acontecem , podem acontecer com qualquer um , em qualquer circunstância. Fatalidades.

Mas , acho que ninguém que pratica uma atividade , um esporte de ação , vê a exposição ao risco como um fator de afinidade.

A gente não pensa nisso.

Eu nunca penso nisso.

Você treina , se prepara , se cerca dos cuidados possíveis , procura estar concentrado no que esta fazendo e , anda.

Não acredito que alguém que ande em bases regulares tenha este tipo de temor.

O que nos atrai no esporte é a velocidade , a superação , o contato com a natureza , a exploração dos limites físicos e mecânicos , a companhia dos amigos , a sensação de bem estar , o olhar curioso das moças e das crianças … , enfim , um conjunto de coisas boas.

Não uma “roleta-russa” , como alguns insistem em interpretar.

Volta e meia ouço algum desmiolado(a) , desinformado(a) , dizendo que o que nos atrai nesta atividade é a exposição ao risco , o desafio ao perigo.

Puta comentário infeliz , descabido….

Não conheço um amigo motociclista (tenho um monte destes) que tenha a menor tendência autodestrutiva.

Muito pelo contrário. Os caras são “da luz”, do esporte.

Hoje , assistia a um vídeo qualquer de um enduro na Europa e refletia sobre o assunto.

O que eu mais gosto no enduro é a possibilidade de estar lá fora. No mato. A céu aberto.

Me divertindo. Aprendendo , tentando fazer melhor. Vendo o mundo lá fora , compartilhando a emoção com os brothers.

Fico muito feliz por não “desperdiçar” esse momento , sentado dentro de casa , vendo os outros “jogarem” , assistindo TV…

A grande emoção esta em “jogar”. Em estar lá presente. Em respirar , em se sujar , em se cansar , em dar muita risada , em fazer a curva perfeita….

O que tiver que ser , será.

É natural que seja.

O que não pode ser , é o como seria se fosse.

Esse , é pro mundo entre quatro paredes: seguro , estável , morno , preto , branco , chato.

A vida lá fora é fria , quente , escura , clara , colorida , emocionante , molhada , arriscada , bela , dinâmica , seca , divertida e , como diria o poeta , às vezes …. “real e de viés”….

Ligue pros caras já.

Se ninguém quiser ir , vá só.

Eu garanto.

A história da humanidade garante.

Qualquer coisa é menos arriscada do que deixar a vida passar.

Como diria Sammy Hagar ao final de “Right Now” , do Halen:

“Cause yesterday is gone and tomorrow may never come”

Acho que vou comprar uma Husa 570!

Será que a KTM elétrica já esta disponível…?!?!

Acho que vou aproveitar o talão de cheques aberto e comprar um daqueles caminhões Dodge que não paro de sonhar.

Eu mereço!

Ou não…

Acho que nem será preciso tanto….

Aliás , acho que tenho certeza!

All we need is right outside the door. Right here , right now!

Sobre Eduardo MOTOHEAD Aiello

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