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Bingo! O trecho norte do Rodoanel

As pistas da D. Pedro I já interligam as rodovias Bandeirantes, Anhanguera, Fernão Dias e Dutra. Investir R$ 5,8 bi no trecho norte do Rodoanel é desperdiçar dinheiro público

Cerca de 500 pessoas participaram da audiência pública sobre o projeto do tramo norte do Rodoanel Mário Covas, quinta-feira passada (14/4), na sede da Assembléia Legislativa de São Paulo. Nenhum representante do Dersa, nem do governo estadual esteve na reunião, que assim se transformou em um ato de esclarecimento e discussão sobre os impactos sociais e ambientais da obra. Os governistas estavam no Palácio dos Bandeirantes, em um encontro entre o governador Geraldo Alkmin e o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, justamente para fechar a participação do governo federal com R$ 1,8 bi na obra do Rodoanel.

Para lembrar: o trecho norte do Rodoanel cortará a região da Serra da Cantareira, maior floresta urbana do mundo e por isso mesmo considerada Reserva da Biosfera pela Unesco. Distante apenas 10 km do centro de São Paulo, a Cantareira é um dos poucos resíduos da antiga Mata Atlântica e funciona como “pulmão” da cidade. Ali são encontrados pássaros, macacos, roedores, felinos e inúmeras outros gêneros da fauna nativa brasileira.

A região também guarda milhares de nascentes de água potável – daí o nome Cantareira – que constituem um manancial estratégico para a cidade. Como parque, oferece uma alternativa para passeios de paulistanos e turistas, brasileiros e estrangeiros de todas as partes do mundo.

O conceito do Rodoanel surgiu em São Paulo nos anos 1970, com o nome de Anel Viário Metropolitano. A idéia – colocada em prática em várias metrópoles do mundo – era simples: construir um cinturão viário em volta da cidade para interligar as rodovias que chegam à capital e assim “afastar” o tráfego pesado que corta a cidade. Já naquele tempo, a presença dos veículos lentos e poluidores incomodava.

Quase quarenta anos nos separam daquele momento. Nessas quatro décadas ampliou-se enormemente o conhecimento sobre o impacto da atividade humana na natureza, com suas consequências no clima e nos desastres ambientais que testemunhamos.

Paradoxalmente, a frota de veículos do país e de São Paulo cresceu aos milhões, ocupando todas as ampliações realizadas no sistema viário. Em suma, qualquer nova faixa de asfalto é rapidamente preenchida por congestionamentos, sinalizando o colapso do modelo rodoviarista, aqui e em todas as partes do mundo. Não a toa, metrópoles como Nova York e Londres estão reduzindo o espaço para automóveis e investindo em transportes mais “limpos”.

Os congestionamentos nas pistas do Rodoanel e nas vias a ele conectadas mostram que a obra é sobretudo um indutor para o uso do automóvel particular. Pensando no futuro, a longo prazo, os investimentos em transporte devem privilegiar sistemas sobre trilhos, com veículos que não dependam da queima de combustíveis, integrados a outras modalidades de tranporte.

Especialistas em transportes, como o prof. Luiz Célio Bottura, ex-presidente do Dersa, já demonstraram que o Rodoanel vai retirar apenas cerca de 15% do tráfego de caminhões que hoje transitam pelas marginais, já que a maioria dos veículos de transporte que chegam pelas rodovias têm a capital como destino.

Por último, e mais importante, convém lembrar que a rota dos veículos que vêm do norte de São Paulo, pelas rodovias Fernão Dias, Anhanguera e Bandeirantes, já está conectada pela D.Pedro I, que passa a distâncias entre 60 e 100 km da capital. A via é uma highway pedagiada e opera com folga todos os dias da semana.

Desta forma, o trecho norte do Rodoanel já existe. E assim, podemos economizar 5,8 bilhões para investir em trens, metrôs, VLTs, BRTs e outros modos de transporte público.

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fonte: Marcos de Sousa
Jornalista especializado em arquitetura, urbanismo e construção. Editor do Portal 2014


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2 comentários

  1. Que me desculpem mas, dizer que a rodovia D.Pedro supre as necessidades do trecho norte do Rodoanel, é balela.

    Se não for implementado o tercho norte, o transito pesado vai continuar atravessando a cidade.

    Não é o dinheiro “economizado” do trecho norte, que irá melhorar o transporte público. Dinheiro, não falta, o que falta é vontade, comprometimento, cidadania e honestidade, da parte de quem governa e legisla a cidade, o estado e o país.

    Faça uma conta rápida; quantos ônibus dá para comprar com a grana dada mensalmente para aquele pinguço apedeuta e sua corja?

    Vamos trocar de assunto?

  2. Mas o projeto vai ou não ser implementado?
    Porque não duvido, que mesmo sendo ‘atoa’, eles não queiram construir este rodoanel para desviar um ‘pouquinho’ de dinheiro. 🙁

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