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CNH financiada? Por que não?

Seu Davi era um cara muito desconfiado, tanto que ele vendia fiado a todo mundo e nunca levava calote. Certa feita fui atrás de descobrir a verdadeira razão de tanto sucesso. Chegamos à loja de material de construção exatamente na hora quem dessas negociações de compra fiada estava ocorrendo e ficamos pasmos com o que descobrimos.

Seu Davi não consultava CPF, SERASA ou o que o valha. A forma era simples. Você escolhia o produto, ele dividia na quantidade de parcelas que o cliente queria pagar e deixava o produto separado, mas o cliente só levava quando pagava a última prestação.

Foi com base na história do seu Davi que eu imaginei que o Estado viesse a fazer o mesmo, desta feita se tratando de CNH.

Em um país onde crédito é fator primordial para que uma parte considerável do processo de inclusão do cidadão na sociedade se concretize, o Estado precisa pensar em uma forma de estimular e facilitar o cidadão a fazer o certo.

Há um número absurdo e praticamente impossível de ser fiscalizado de pessoas rodando de motos sem a devida habilitação, incluídas aqui aquelas CNHs.

Existe consórcio e financiamento para compra de veículo, casas, caminhões, tratores e até de viagens ao exterior, mas não existe nenhum consórcio ou mesmo financiamento prévio para habilitação.

Legalmente não há nenhum impedimento para que o Estado receba de forma antecipada todas as taxas e despesas decorrentes da retirada de uma habilitação. A operação é simples e bastaria que a mesma fosse registrada em nome de um cliente beneficiário. Por exemplo: o Sr José Francisco da Silva (nome fictício) poderia adquirir um carnê (semelhante ao que recebemos por conta de IPTU e IPVA) com o valor das prestações a ser pagas de forma antecipada para poder ter direito a tirar uma CNH. Ele iria pagando o carnê ou os títulos e ao quitar a última parcela solicitaria a sua guia de exames para retirar a CNH.

As auto-escolas já financiam grande parte dessas despesas quando parcelam as aulas práticas e os cursos obrigatórios. Se isso acontece, por não pode ser feito o mesmo pelo Estado naquilo que é a sua parte na arrecadação?

Uma atitude simples iria ajudar as pessoas que estão entre aqueles que não se enquadram na CNH Popular e os demais que não atingem o perfil de receita para poder tirarem uma habilitação de moto. Muitos dos que rodam de moto hoje sem CNH estão assim por conta do valor que é elevado. Acontece que estas pessoas possuem renda, mas a sua capacidade de disponibilização de verba para pagar de forma integral uma CNH já os deixa fora do perfil e assim preferem correr o risco de andar sem CNH.

São estas mesmas pessoas que engrossam a lista dos acidentados que não usam capacete, não possuem CNH e muito menos qualquer instrução sobre pilotagem e sinalização. Grande parte é semi-alfabetizada e a outra parte não consegue identificar corretamente o que quer dizer a maioria das placas de sinalização.

O problema é grave e sua solução será ainda mais demorada se continuar sendo este o procedimento de pagamento.

Já existem iniciativas nesse sentido. Algumas concessionárias oferecem o pacote All-in-one – onde todas as despesas para retirar a CNH são pagas e financiadas em conjunto com as motos. Os preços são atrativos. A Suzuki de Iguatu está realizando uma promoção interessante; Em parceria com a Auto- Escola Máxima eles financiam a moto, emplacamento e CNH por R$ 7.046,85 (preços de Abril de 2012) ou em até 48x de R$ 294,70. Prestação pequena para tudo que envolve emplacamento  e habilitação. Mas vale ressaltar que esse financiamento envolve juros; daí a necessidade de ter uma ajuda maior do Estado.

Não estamos aqui pedindo para deixar de cobrarem determinadas taxas, mas pelo menos facilitar o pagamento das que hoje são obrigatórias.

Quem sabe algum político acabe adotando essa idéia como sua e facilite um pouco a vida dessas pessoas que desejam andar sem medo de blitz, mas que nas condições atuais, mas pioram o terror nas estradas e o exército de mortos e aleijados, órfãos que são da presença mais solidária de um Estado cuja função parece mesmo ser “se a farinha é pouca, o meu pirão primeiro.”

Qualquer dúvida, procurem o seu Davi.

?

by

Luis Sucupira
Jornalista, publicitário e documentarista desde 1988, blogueiro e colunista do Fórum PCs. Motociclista há 25 anos foi fundador do MC Guerreiros do Sol. Palestrante sobre temas relacionados a motociclismo, mototurismo, marketing e vendas.

Sobre * Equipe MOTONAUTA

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Um comentário

  1. Claudio Santos

    Sugiro como pauta uma reportagem sobre o trânsito em
    Sobral e seus distritos.O número de mortos,feridos e
    mutilados em acidentes de moto é assustador.
    Os motoristas de caminhões e automóveis não respeitam
    os motociclistas que de trafegar na BR-222 e obrigam a
    os mesmos a pilotar na beira da pista e muitas vêzes o
    empurram para o acostamento.

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