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Com que roda eu vou

Peugeot Hoggar 1.4 e 1.6

Bonitinha, mas dá medo comprar carro de marca francesa (foto:Tite)

Nessa minha missão de descobrir qual carro comprar, fiz o test-drive da Hoggar e achei bem interessantinha: cabine grande, motor 1.6 valente, caçamba que cabe moto, hummm, parece que a Courier tá na marca do pênalti. Meu único medo é comprar carro de marca francesa, porque pra vender depois é um porre. Os próprios concessionários desvalorizam tanto o carro que dá vontade de perguntar “ô seu %$#&*+ se esta m*** é tão ruim por que você me vendeu???” Na hora de vender o carro os gordinhos dos concessionários tecem altos elogios. Na hora de trocar por outro eles só faltam te chamar de idiota e burro. Aliás, falei isso pro presidente da Peugeot (não nesses termos, claro) e ficou maior saia justa na entrevista coletiva. Bom, leia a avliação abaixo.

Picape, mas pode chamar de hatch

Compromisso é um conceito no qual todo projetista dorme pensando. Não o conceito formal de compromisso, mas aquele que indica como equilibrar mais de uma característica em um mesmo veículo. No caso dos picapes seria a melhor equação entre veículo de trabalho e carro de passeio. O grande desafio de uma equipe de projetistas é como equilibrar o quanto de característica de cada exigência. Nesse sentido, as 320 pessoas que trabalharam no desenvolvimento do picape Peugeot Hoggar podem dormir tranqüilas, porque entregaram um produto com o mais alto nível de comprometimento entre veículo de trabalho e de lazer oferecido atualmente no mercado dentro da categoria.

O Hoggar (pronuncia-se ô-gar) é um produto 100% desenvolvido no Brasil e isso é fácil de acreditar, afinal em qual outro país do mundo pode-se ver tantos picapes criados a partir de hatches ou sedãs pequenos. Na Europa o veículo de carga é furgão ou furgoneta, enquanto nos EUA são as picapes grandes e enormes que fazem o trabalho pesado. Só no Brasil se vê tantos picapes pequenos. E, brevemente, em mais países da América do Sul.

Para resumir o que é dirigir o novo Hoggar basta revelar que durante os mais de 180 quilômetros do teste nem se percebe que está a bordo de um picape. O trajeto do teste combinou vários tipos de terrenos e topografia e só mesmo ao olhar pelo espelho retrovisor vinha o susto ao “cair a ficha” de que aquele veículo era um picape e não um sedã ou hatch.

O principal responsável por esse efeito é o conjunto de suspensão. E aqui entra o tal do compromisso. Para transportar os 660 kg de carga (na versão XR 1.4) seria necessário desenvolver uma suspensão capaz de resistir, mas não fosse rígida a ponto de transformar o picape em um veículo saltitante quando vazio. Para equilibrar as duas situações a Peugeot foi buscar a solução no furgão Partner, com suspensão traseira independente, dotada de amortecedores colocados quase na horizontal e barras estabilizadoras (menos na versão X-Line). Esse tipo de fixação permitiu aumentar muito o espaço da caçamba por eliminar o mancal de apoio do amortecedor traseiro.

Cabe uma Yamaha XTZ 125X e sobra muito espaço. Foto: Tite

De fato, a caçamba é muito grande e com a caixa de rodas reduzida sobra espaço para levar motos médias e até um quadriciclo. Se faltar espaço, a tampa pode ser retirada facilmente. Para evitar o furto da caçamba (sim, isso é comum…) ela é protegida por chave. Outra solução interessante é o mecanismo que libera o estepe, colocado sob a caçamba. Ele fica embutido na caçamba coberto pela tampa da caçamba, que por sua vez tem chave. Foi a forma encontrada para evitar o furto do estepe, uma preocupação (real) dos donos de picapes no Brasil.

Como é

Bonita, sem dúvida! Pode ser que as lanternas traseiras não agradem a maioria, mas ela tem um desenho um tanto destoante do resto do picape, mas por outro lado, como invade boa parte da lateral – assim como os faróis – proporcionam mais segurança porque o veículo torna-se visível à noite mesmo quando visto de lado. Um saída bem mais interessante do que olhos de gato!

A frente é do Peugeot 207, nenhuma novidade. Mas na versão Escapade (pronuncia-se assim mesmo) foi colocado um aplique de alumínio a pretexto de “quebra-mato” de gosto bem questionável. Lembra aquelas dentaduras de drácula que as crianças usam no dia das bruxas. Discrição nunca foi o forte desses veículos “aventureiros”. Já a versão de batente pesado, a X-Line, tem o pára-choque pintado na cor da carroceria, poucos acessórios e vai concorrer de frente com a Ford Courier. Se levarmos em conta que o estilo do Courier está uns 15 anos defasado, é fácil prever onde a Peugeot vai morder para comercializar as almejadas 1.500 unidades por mês.

Os apliques externos da Escapade agradam ao público alvo desse tipo de picape que, segundo a Peugeot, são formados por mais de 90% de homens entre 30 e 49 anos.  Desse público, cerca de 37% são pequenos comerciantes e 41% transportam carga. Não perguntem o que fazem os outros 59% com tanto espaço na traseira.

Como as fábricas adotam um sistema métrico curioso para medir a caçamba, quem avalia as dimensões de um picape pode se iludir. No caso da Hoggar, a caçamba, oficialmente, tem capacidade para 1.151 litros. Então, se quiser aumentar a capacidade de uma caçamba, basta aumentar a linha da cintura (como na Montana) e isso se traduz em muitos litros. Como não se transporta líquidos na caçamba, essa medição serve apenas como ferramenta de marketing.

Como nós acreditamos ser mais honesto usar o sistema métrico tradicional, fomos atrás da trena para medir a caçamba (com o protetor de caçamba aplicado). As medidas internas são: largura, 1.332 mm; distância entre as caixas de roda, 1.190 mm; comprimento, 1.677mm; diagonal, 2.082 mm e altura, 535 mm. Esse último dado é importante porque não dificulta a visão traseira. Essas medidas podem ganhar alguns milímetros na versão X-Line sem protetor de caçamba. No comprimento, a Hoggar é 2 cm menor que a Ford Courier, a maior de todas as caçambas da categoria.

Ainda no departamento de boas idéias, a Hoggar também tem um degrau na caçamba para facilitar o transporte de cargas. Esse degrau apareceu originalmente na Montana, depois na nova Saveiro e agora no Hoggar. Qual a diferença entre eles? Na Peugeot os projetistas fizeram do limão uma limonada, das boas. Esse “buraco” na lateral, assim como qualquer saliência e protuberância, torna-se um agente complicador na aerodinâmica. No caso do degrau, gera uma área de baixa pressão, que foi aproveitada para “chupar” o ar da cabine. Essa solução, “patenteada” pela Peugeot, permite a ventilação da cabine sem abrir os vidros.

Falando em vidro, continua a inexplicável posição de abertura das janelas no console. Também tem pequenos pênaltis de ergonomia, como a trava para levantar o encosto e acessar o porta-objetos. É difícil encaixar a mão e puxar a trava quando o encosto está alinhado com a coluna central. Para liberar o freio de mão o motorista acaba batendo na alavanca de câmbio e o curso dos pedais, sobretudo do acelerador, é exageradamente longo. Em tempos de acelerador eletrônico isso não se justifica.

Só que a Peugeot fez um gol de placa ao criar uma cabine capaz de receber motoristas altos, colocando um teto bem alto (ou o banco bem baixo…). Para os baixos, a regulagem de altura do banco ajuda a encontrar a melhor posição. E para altos e baixos tem a regulagem de altura de volante também. Faltou a regulagem de distância do volante. A visibilidade é muito boa pelo vidro traseiro, que é corrediço em todas as versões.

Internamente são oferecidos vários padrões de acabamento, com apliques de plástico imitando alumínio escovado, pedais de alumínio e forração.

Como anda

Muito bem! A versão 1.4 Flex de 8 válvulas agrada no uso urbano, mesmo com a primeira marcha tão curta que só mesmo na subida e carregada para ser muito solicitada. A retomada de velocidade é lenta – em comparação com a 1.6 – mas surpreende pela boa aceleração.

O desempenho do 1.6 16V surpreende e pode ser equiparado aos 1.8 concorrentes. Graças aos recursos da eletrônica (injeção e ignição) o motor 16V consegue responder bem nas baixas rotações e tem uma retomada de velocidade rápida e linear. Fizemos várias simulações na subida de uma serra no litoral de Santa Catarina e o motor 1.6 é efetivamente do tamanho ideal para quem transportar carga por longos trajetos. A capacidade de carga da versão Escapade, curiosamente, é 10 kg menor do que a XR, isso porque o veículo é 79 kg mais pesado.

Já na descida da serra foi a hora de sentir falta, mesmo que no plano psicológico, dos freios anti-travamento, que não serão oferecidos nem opcionalmente. Durante o teste não observamos nenhuma deficiência nos freios, mesmo com a caçamba vazia, situação que normalmente desequilibra a frenagem dos picapes. Não tivemos a oportunidade de avaliar os modelos com carga na caçamba. Já as bolsas infláveis são opcionais apenas na Escapade, que cobra R$ 2.000 a mais.

O melhor dessas duas versões – não tivemos acesso à versão X-Line – é o nível de conforto. Realmente o motorista esquece a maior parte do tempo que está dirigindo um picape. No piso de calçamento da Lagoa da Conceição, em Florianópolis (SC), o Hoggar foi tão suave e silencioso quanto um carro “normal”.  Pode-se esperar um pouco menos de conforto na versão X-Line, uma vez que a maior capacidade de carga é de 742 kg e isso certamente exigiu uma recalibragem dos amortecedores traseiros.

Segundo a Peugeot, dessas 1.500 unidades por mês que pretende vender até o final do ano, 14% deve ser da versão X-Line, 60% da versão XR e 26% da versão Escapade. Para atrair ainda mais o público, a garantia de motor e câmbio foi estendida para 3 anos. Essa decisão não foi ampliada para outros modelos da linha.

Extraido do MOTITE sob autorização.

Sobre Geraldo TITE Simões

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Um comentário

  1. também estou com essa dúvida, mas uma saveiro cross não comportaria a xtz em diagonal também? acho que não dá para fechar a tampa né.. abraço e parabéns pelo artigo

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