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Como é a BMW G 650GS montada pela Dafra

Feita no Brasil ?

A BMW G 650 GS é pioneira. Primeiro por recolocar a BMW na categoria monocilindro lá atrás, em 1993, com um modelo F 650 fabricado pela italiana Aprilia, com motor austríaco Rotax e a marca alemã BMW. Ou seja, era um produto totalmente globalizado.

A partir de 2000 a BMW assumiu a produção total do modelo, que teve mais um capítulo de pioneirismo porque o motor passou a ser montado na China. Agora a mais importante de todas: é a primeira moto da marca alemã a ser 100% montada fora da Europa.

Aparentemente é exatamente o mesmo modelo que foi importado para o Brasil até 2007. Mecanicamente também é a mesma, com motor monocilíndrico, 652 cc, que desenvolve 50 cv a 6.500 rpm. Só a injeção eletrônica teve uma alteração com pequeno aumento do diâmetro da borboleta.

Este motor tem como principal característica o bom torque em baixa rotação, grande economia de gasolina, chegando a impressionantes 24 km/litro, mas tem um funcionamento bastante ruidoso com vibração excessiva, denunciando a antiguidade do seu projeto.

Na Alemanha esse modelo é considerado como de entrada da marca, ou seja, o mais barato e acessível, especialmente indicado para iniciantes e mulheres. Por isso a posição de pilotagem é estranha, com o piloto afundado no banco de dois níveis e a apenas 79 cm do solo. Os baixinhos agradecem!

Já o guidão é exageradamente largo, com avantajados pesos nas extremidades. Pode ser bom para o fora-de-estrada, mas na cidade atrapalha bastante na hora de zanzar entre os carros.

Antiquado também é o painel de instrumentos que fica devendo um marcador de gasolina, adotando a luz de advertência de reserva. Com um tanque de 17,3 litros (4 de reserva) a autonomia média é de 360 quilômetros. Um painel mais moderno e com marcador digital de marcha seria bem vindo.

Não há qualquer motivo para subestimar a qualidade desse produto apenas pelo fato de ser montado no Brasil pela Dafra. Porque o controle de qualidade é todo exercido por técnicos treinados na matriz em Munique. Mesmo assim nota-se algum descuido no acabamento do chicote elétrico, por exemplo.

Outro detalhe irritante são os comandos dos punhos elétricos, totalmente anti-ergonômicos e fora do padrão, com a buzina no lugar do pisca e vice-versa. Parece que os alemães da BMW se especializaram em criar confusão aos motociclistas.

Na rua

A primeira impressão ao acionar a partida da G 650 GS é de um motor áspero. Com a marcha lenta a 1.500 rpm essa sensação é ainda amplificada. Como já foi explicado, o projeto está completando 11 anos e isso aparece nestes detalhes. A principal concorrente, a Yamaha XT 660 tem um motor notadamente mais silencioso e suave.

Por enquanto aqui será fornecida apenas a versão GS estandard (já existiu a versão Dakar, com roda dianteira de 21 polegadas), com rodas de liga leve, sendo a dianteira de 19 polegadas. A vantagem da roda de 19” é deixar a moto mais estável e maneável nas curvas, sobretudo no asfalto. No entanto a roda raiada pode até ser mais confortável e absorver melhor as irregularidades do piso, porém impede o uso do pneu sem câmera, mais seguro e eficiente.

Até que essa BMW aceita bem o uso no fora-de-estrada e esta é a proposta: ser uma moto de uso on-off road. Só que na hora de sair do asfalto é importante desligar o freio ABS por meio de um feioso botão no painel.

Se no asfalto o ABS já funciona com alguma dificuldade quando passa por irregularidades, na terra é preciso desligar. Ao contrário do sistema adotado pela Honda XRE, a BMW ainda não conseguiu desenvolver um sistema que consiga interpretar as irregularidades do piso.

Neste modelo avaliado este botão do ABS estava defeituoso e ligava sozinho, quase me matando de susto quando esperava a roda traseira travar e o freio simplesmente não funcionou e por pouco não saí reto na curva!

Na estrada

Rodei quase 500 km e dois dias em um percurso com trecho de terra, asfalto, curvas, tanto de dia quanto à noite. Se a distância entre-eixos pode sugerir problema em curvas de raio curto, essa impressão logo desaparece nas primeiras curvas. Os pneus Metzeler Tourance são projetados para 70% de uso em asfalto e 30% de terra e essa mistura é muito bem balanceada, pois eles seguram bem nas duas condições.

Para ter uma idéia, cheguei mesmo a raspar o cavalete no asfalto em uma curva mais abusada. E no trecho de terra foi bem tranqüilo. Dessa vez peguei só seco, mas já rodei com essa moto na lama. Não foi fácil, mas dá pra encarar.

O grande destaque está no conforto. Tanto piloto quanto garupa viajam em amplo espaço, com um bagageiro também avantajado e até equipado com um pequeno porta-objeto. A grande contribuição é do conjunto de suspensões bem balanceadas, inclusive com uma regulagem da suspensão traseira bem acessível para se adaptar às condições da estrada e do peso.

O farol de lente única ilumina muito bem e os protetores de mãos ajudam a afastar um pouco do frio. Se a BMW fizesse um pacote de opcionais para este modelo poderia incluir um aquecedor de manoplas e um pára-brisa maior, porque falta um pouco de proteção aerodinâmica.

A briga no mercado ficou bem aquecida e interessante, porque na faixa de preço da BMW G 650 GS (R$ 29.900 em São Paulo) podem-se encontrar boas opções como a já citada Yamaha XT 660 de um cilindro (R$ 27.000), a Kawasaki ER-6 de dois cilindros (R$ 25.500) ou a nova Yamaha XJ6 de quatro cilindros (R$ 27.500). Honestamente, nesta faixa de preço a BMW seria minha última opção. Para uma moto com motor monocilíndrico, de tecnologia meio defasada, pagar 30 mil reais é um pouco exagerado. A explicação mais usada está no freio ABS, que representa um benefício na mesma proporção do preço. Outro argumento a favor é o seguro menor, que compensa a diferença de preço em pouco tempo.

Ficha Técnica

  • PREÇO: R$ 29.900
  • ORIGEM: Brasil
  • MOTOR: monocilindro, 4T, duplo comando, 652cc, alimentado por injeção eletrônica, arrefecido a líquido. Potência máxima de 50 cv (a 6.500 rpm) e torque de 6,1 kgfm (a 4.800rpm)
  • TRANSMISSÃO: Câmbio de cinco marchas. Secundária por corrente
  • SUSPENSÃO: Dianteira com garfos telescópicos e traseira monoamortecida
  • FREIOS: Dianteiro a disco e traseiro a disco, com ABS
  • PNEUS: Dianteiro 110/90-19 e traseiro 130/80-17
  • DIMENSÕES: 2.185 mm de comprimento, 905 mm de largura, 1.160 mm de altura e 1.520 mm de entre-eixos
  • PESO: 175 kg
  • TANQUE: 17,4 litros

“A calça camuflada é pra pilotar no mato.”

Foto: Daniel Rosa

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Extraido do MOTITE sob autorização.

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12 comentários

  1. Carlos pacheco

    E rapaziada li está reportagem e me apaixonei pela a moto tanto é que comprei a moto desta da reportagem. cara o melhor custo beneficio da categori..

  2. Tenho uma e estou amarrdão nesta moto!

  3. Alô galera amante de aventura sobre duas rodas! Em agosto de 2011 deixei mensagem de indignação por ter adquirido uma bmw gs 650 2011, e tive que levà-la por 4 vezes a concessionária com diversoa problema. Após contato direto com a bm,o problema foi resolvido e hoje afirmo ser esta a melhor da categoria,pois já possuir diversas marcas. em novembro fiz uma viagem ida e volta 6.500km (Cascavel – pr a Porto Velho – RO. sem problema, houve abastecimento que chegou a 32,4 km/lt. Nunca tinha visto isso em um modelo acima de 200cc. oconforto de acento e suspenção e imcomparável. gostei tanto que já estou me programando para ir a mathu-pit no peru. peço desculpa pelo comentário de agosto passado. espou apaixonado pela máquina. quem pensa na aquisição desta categoria, comprem a GS 650 da BMW não se arrependerão.
    Valeu, pé na estrada

  4. rodei pela primeira vez na estrada 320 km, adorei a GS, muito confortável, e ainda não acendeu a reserva, ótima moto

  5. Luiz Gonzaga

    Esta moto dispensa comentarios !
    Basta ter uma para se constatar esta opinião !
    Ja ando em uma G650GS a 8 meses, com 5000 km, ela esta cada vez melhor !!!

  6. Paulo Tadeu

    Tenho uma dessa com 400 km hje……. uma puta moto em tudo nada a reclamar

  7. karaka ficou irada

  8. cara! essa moto é d++++++++++++++++++++++++

  9. Mauricio Ventura - Floripa

    Concordo com boa parte da avaliação, discordo de outra, mas o fato é que isso vai virar fato. Deixar de ser apenas um sonho. De consumo. Certamente terei uma.

  10. Rafael Parizzi

    Tecnologia ultrapassada, mas é linda de perto!

  11. Bonita, mas a falta do marcador de combustivél é de fato irritante. Mas se possivel teria uma!!!

    Anibala
    (falcononline)

  12. Beleza de moto. Aluguei uma na Europa e rodei uns 900 km. Show. Sonho de consumo agora acessível aos meros mortais. Ainda vou ter uma.

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