BIGtheme.net http://bigtheme.net/ecommerce/opencart OpenCart Templates
Home / Avaliações / Dafra 250 … hoNEXTa !

Dafra 250 … hoNEXTa !

Taiwan não é China.

E embora a língua seja semelhante, as diferenças culturais são gritantes. E não é diferente quando o assunto é motocicleta. Em Taiwan o número de veículos de duas rodas supera o número de habitantes. A esmagadora maioria são os scooters. Porém não é incomum encontrar nas ruas motos japonesas, americanas e europeias  Em outras palavras, há uma certa tradição motociclística por lá.

Conhecendo um pouco daquele país e suas peculiaridades, foi uma interessante experiência agradável pilotar na estrada a Dafra Next 250, cujo pedigree é Taiwanês, da marca SYM.

O modelo comercializado naquele país difere em alguns aspectos daquele que já podemos ver nas ruas do Brasil. Começando pelo nome, que em Taiwan recebe um apelativo Wolf. Next significa em inglês “próximo”. Não sei se essa foi a intenção do departamento de marketing, mas talvez essa seja sua “próxima” 250cc.

A diferença mais visível do modelo Taiwanês é o freio dianteiro. A nossa Dafra recebeu um pinça de dois pistões, enquanto o modelo original já conta com pinça radial de quatro pistões. Mas vale lembrar que a Dafra fez um competente trabalho de adequação para “abrasileirar” a moto, tornando-a coerente com os obstáculos que (infelizmente) encontramos em nossas ruas.

Meu trajeto cotidiano gira em torno de 120km, sendo que aproximadamente 80km é estrada. E me acostumei com a tocada de motos acima de 500cc para meu diário deslocamento. Portanto fiquei curioso em experimentar uma novidade 250cc.

Já testei outras pequenas e confesso, foi um pouco decepcionante. Porém com a Next a experiência foi bem agradável. Contando com um conjunto muito coeso e eficiente para uma 250cc, o trajeto foi vencido com muito conforto. E claro, uma desejável economia em relação a motos maiores. Afinal de contas não pretendo realizar grandes estripulias indo e vindo do trabalho. A estrada não permite devido ao tráfego pesado e os radares estão a postos. Nesse ritmo, começo a pensar que uma 250cc ou 300cc seja o suficiente. E a Next é mais que isso.

A grande sacada, sob meu ponto de vista, é o câmbio de 6 marchas, que permite uma boa agilidade nas ruas e uma tocada sem sustos na estrada, mantendo tranquilamente a velocidade cruzeiro de 110km/h, com sobra para eventuais retomadas e ultrapassagens.

Eu até arriscaria, como exercício matemático, alongar a relação, tirando da coroa dois dentes. Como mais da metade de minha vida sobre uma moto é na estrada, talvez fosse interessante experimentar.

O motor é competente e entrega os cavalinhos na hora certa, sem sustos ou decepções. E aí temos um diferencial: A refrigeração à água!

Física é física. Em um motor à explosão para gerar cavalos é necessário gerar calor. E não queremos calor, queremos potência. Menos calor, mais potência. Vale ressaltar que isso é fato, não é minha opinião…

É exatamente por esse motivo que as novas diretrizes ambientais apontam para o fim dos motores refrigerados à ar. Maior aproveitamento de energia é igual economia.

Voltando a moto:
Um pouco a desejar é a ciclística. Não pude atacar a moto com trena, paquímetro, transferidor e outras ferramentas, mas tive a impressão da moto ser longa, ou seja, uma distância entre eixos maior que as concorrentes. E talvez um caster mais aberto.

Só sei que para abraçar pra valer uma curva, um leve contra-esterço foi necessário. Em contrapartida a estabilidade em reta é excelente. Perde-se de um lado, ganha-se de outro.

E já que estamos falando em estrada, não podemos esquecer do conforto e ergonomia. E nesse ponto uma moto é como um sapato. Algo muito pessoal. A proposta é o padrão. Guidão em altura padrão, um pouco largo para o caos de São Paulo. Retrovisores grandes e eficientes, embora certos sujeitos adorem retrovisores miúdos, como se o universo deixasse de existir atrás deles. E manoplas muito simplórias e desconfortáveis para o nível da moto. Outro ponto negativo é a ausência de pontos de fixação para os elásticos e aranhas.

Aí vem o toque pessoal. Eu instalaria um guidão mais baixo, mais estreito e, por favor, uma manopla mais confortável. O banco é respeitável, deu para aguentar tranquilo um trecho de 60km. Cheguei inteiro.

A suspensão foi retrabalhada para suportar nosso piso. E suporta muito bem, embora o preço que se paga seja uma moto um pouco mais dura que o desejado. Ainda assim não experimentei nenhuma anomalia, mesmo nas curvas mais fechadas.

Foi uma experiência gratificante pilotar essa pequena máquina. Economia, visual moderno, conjunto confiável e preço justo. E por enquanto menos visada pelos “osorianos”, um tipo de alienígena que se alimenta de motos japonesas.

Um detalhe:
A moto que experimentei, quando chegou ao Motonauta, já tinha 1000km, registrava no painel máxima de 157km/h (o computador de bordo registra!), as pastilhas de freio dianteiras pela metade e os retentores da suspensão dianteira estavam “babados”.

Se isso afetou a experiência eu não sei, mas que afetou a vida futura da moto, isso é inevitável. Não sei quem a pilotou antes, mas seja lá que foi, certamente não teve a intenção de testar a moto em condições normais e cotidianas, como a maioria dos mortais pretende usar a moto.

Parte da vida útil de uma moto é determinada nos seus primeiros 1000km, respeitando o amaciamento e as instruções do manual. Portanto se você quer uma máquina durável, não tente fazer isso em casa.

***

Fabio Pligher / Motrix Moto Parts
www.motrixmotoparts.com.br

Sobre * Equipe MOTONAUTA

Além disso, verifique

Kawasaki Versys 1000 é diversão garantida

Há uma coisa estranha acontecendo na categoria de moto aventura. Toda a categoria foi criada ...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *