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Dog without a bone

O motociclismo é uma atividade “multifacial”.

Eu , como qualquer um , já olhei pra minha moto de diversas formas. Como uma diversão , como um esporte , como um veículo de transporte , como um vetor do turismo de aventura , como uma “fuga”….

Gosto tanto da parada que já até quis me convencer de que as motos , são um bom investimento. Fala sério …!

Esta ótica , em geral , é dinâmica.

Muda conforme a vida passa , adaptando-se às novas realidades , prioridades e possibilidades.

Dentre tantas …. , “mil e uma utilidades”, o enduro , seria sempre minha primeira opção.

Mas , vivendo em SP , uma cidade de , praticamente 150 quilômetros quadrados , o rolê de trilha , quase sempre subtende deslocamentos que , invariavelmente , comprometem o dia ou até , o findê todo.

Este tempo , usualmente , me faz mudar de idéia.

Adoro fazer trilha , mas , moro no lugar errado.

Nestas , o Cross Country virou minha maior “cachaça”.

Tenho andado praticamente só em circuitos.

Sejam estes , particulares ou , simplesmente um “laço” , num meio de mato (ou canavial) qualquer.

O Cross Country é como um Supermercado.

Rápido. Disponível. Acessível.

Qualquer um anda numa pista sem maiores obstáculos.

Qualquer um , a qualquer hora.

Qualquer um , em qualquer ritmo.

Isso me agrada.

Chegar , arrear , acelerar , trocar uma idéia e vazar.

Acontece que ninguém , em sã consciência , tem saco de ficar dando voltas num circuito , sem maiores desafios , devagar… Passeando.

Só se o cara for louco de verdade ou , tiver uma mulher muito feia e estúpida esperando em casa.

Isso posto , é natural que todos lá carreguem o famoso “bobo” , preso no guidão.

A única coisa que se pode fazer , de realmente interessante , numa pista de Cross Country , é andar rápido.

Evidentemente , rápido é uma questão de referencia.

Rápido é um adjetivo feito de borracha , elástico.

Quase ninguém pode dizer que é rápido. Posto que , quase sempre , há alguém muito mais rápido do que alguém , que se julga rápido.

Rápido mesmo , no XC , deve ser o Russell Bobbitt , o Mike Brown , ou o Antonio Jorge , o Balbi!

Portanto , a regra geral serve a todos : Mais rápido do que na ultima volta.

Ou , o mais rápido que você conseguir andar!

Como diria Coverdale no Whitesnake …: “Running round in circles , like a dog without a bone”

Um cachorro sem um osso , correndo em círculos atrás do próprio rabo.

Tenho alguns amigos que dedicaram , dedicam , boa parte de suas vidas , do seu tempo , ao motociclismo off road.

É sempre muito bom conversar com estes caras.

No meio de uma conversa qualquer , mesmo que despretensiosa , sempre róla algum comentário que sumariza toda esta vivencia e conhecimento.

Há anos atrás , um destes caras me chamou a atenção para um fato que eu , na minha imensa ignorância e isolamento , ainda não havia percebido. Disse ele:

“As suspensões dianteiras evoluíram muito. Hoje , é possível andar montado numa suspensão dianteira. É preciso atentar para este fato e fazer uso desta tecnologia. É preciso “colocar” a frente no chão , “sentir” o chão na mão. Usar este recurso.”

Nós somos de uma época em que as suspensões não tinham comparação com o que existe hoje.

Na década de setenta , mesmo no inicio da década de oitenta , suspensões dianteiras eram dispositivos muito pouco eficientes (se comparados ao que temos à disposição em 2010).

Repare nas fotos ou filmes de competições daquele período.

A recepção de um salto qualquer , era sempre feita com a suspensão traseira. Dispositivo este , que ainda não era grande coisa mas que ,  auxiliado pelo movimento das pernas (do corpo todo na verdade) , fazia boa parte do amortecimento.

Hoje em dia , qualquer “especial” tem uma suspa dianteira capaz de desenvolver esta “aptidão”.

Não estou falando de suspensões trabalhadas , revalvuladas. Estou falando de equipamento standard.

Há não muito tempo atrás , as motos tinham muito pouco recurso de suspensão.

Os motores “fortes” já existiam (tomadas às proporções) mas as suspensões , só chegaram num patamar próximo ao que hoje se encontram , nos últimos 20 ou 25 anos.

O primeiro grande salto rumo a esta evolução , chegou com o monoamortecimento traseiro.

Evoluiu com os links e levou a suspensão traseira a um nível próximo ao atual.

Mas , este processo deixou a suspensão dianteira “na gaveta” , durante alguns anos.

Justamente o período em que nós , Over 40´s , começamos a andar de moto no mato.

Uma fase transitória em que as motos já tinham suspas traseiras razoáveis. Mas , as dianteiras , não acompanhavam este desempenho.

Neste final de semana , me lembrei desta história , fazendo curvas dentro das canaletas , encostado no bocal do tanque , “vestindo”as bengalas (dentro das minhas capacidades físico-motoras….).

Nós amadores , ou , pelo menos eu (intermediário mané), temos séria tendência em esquecer de aplicar a técnica.

O posicionamento é muito importante. É a base. Tudo parte do posicionamento correto.

Neste contexto , as suspas dianteiras têm nos dado uma grande ajuda.

Hoje qualquer um é capaz de “mergulhar” numa curva , numa canaleta , vindo de uma quinta ou quarta e , ter a certeza de que , se o corpo estiver devidamente posicionado , a suspensão dianteira irá absorver o impacto e tratar de manter a trajetória e a estabilidade necessária para contornar o traçado.

Impressionante o controle de absorção e retorno , que uma suspa moderna transmite , quando “pressionada” da forma correta.

Ainda sobre as conversas com estes compadres “sabidos” , outro “tópico” me veio à cabeça na mesma oportunidade.

Tenho um camarada “autodidata” , que sempre me advertiu sobre a forma de acelerar. Aquela velha história do “on-off”.

Parte daquele capitulo , que diz que uma motocicleta sempre responde melhor aos comandos quando esta acelerando ou freando e que , a princípio , não se deve andar “no embalo” ou , “dosando”. Salvo em situações específicas , é claro.

Este capítulo é muito importante e também , muito difícil de assimilar.

Principalmente pra nós treieiros , acostumados a andar em circuitos onde , em geral , não se sabe exatamente o que virá pela frente.

É difícil abrir todo gás num canhão qualquer , sem saber exatamente o que há depois da próxima curva.

Mesmo num circuito “conhecido” , pode haver uma erosão , uma pedra , uma árvore caída…

Enfim , o “on-off” , no dia a dia do treieiro , nem sempre é uma opção.

Mormente pros treieiros velhos , aqueles que aprenderam a andar de moto numa época em que a palavra “performance” , só era usada , antecedendo a palavra “sexual”. E , em geral , a combinação destas duas , precedia uma grande mentira…!!

Até porque , pouquíssimos pilotos (treieiros ou não) tem o condicionamento físico necessário para , efetivamente aplicar esta técnica , durante os 100/150 quilômetros de um rolê de trilha qualquer.

Isso funciona nos primeiros 20 min , 40 min , 90min…. , mas , o dia inteiro “entubando” e freando…. , é coisa pra elite da elite.

Tenho visto caras de uma nova geração acelerando absurdo. Absurdo pros nossos (meus) padrões.

Dia destes , assistindo o Murilo Bertate numa pista local , me surpreendi com a “violência” da tocada.

Na verdade , isso é comum a toda esta geração ou , pelos menos , aos melhores desta geração.

Os caras só andam de cabo totalmente colado.

Dá até dó de ouvir as duzentosecinquentinha “pipocando” o tempo todo , no final da faixa de giro.

Na minha época não se fazia isso , ou , mais uma vez , eu não fazia isso.

Passávamos as marchas no limite da rotação.

Mesmo os caras mais rápidos , trocavam marchas numa sequência e velocidade que , raramente , adentrava a faixa limite do motor.

Neste findê , experimentei mudar menos de marcha.

Experimentei andar mais próximo do limite máximo de rotação.

No XC , longas sessions de curvas são o prato do dia. Aliás , são a especialidade da casa!!!!

Experimentei percorrer as pequenas retas que unem as curvas do “miolo” , numa marcha abaixo do que eu normalmente percorreria.

Tipo , sair de uma curva aberta em terceira e ir em terceira até a entrada da próxima curva. Sem usar a quarta e , depois , a terceira outra vez.

Ou , sair de um cotovelo em segunda e , se possível , percorrer a distancia até o próximo na mesma segunda.

O bobo tava lá e ele não mente. Pode ser bobo , mas não mente. Dá pra ganhar vários segundos com essa “técnica”.

No começo , “assusta” um pouco , escutar o motorzinho “gritando” , mas depois você se familiariza (lógico , dentro da capacidade do motor) e começa a usufruir dos benefícios.

A moto fica mais “na mão” tracionando o tempo todo (acelerando ou “pendurada” no freio motor). Perde-se menos tempo com a troca “desnecessária” de marchas.

O deslocamento “reduzido” , mantém o giro alto e proporciona maior agilidade na transposição de eventuais obstáculos (tipo um tronco , um vala , uma pedra…)

Além disso , gasta-se menos energia e , mantém-se um posicionamento melhor , posto que não são necessárias tantas mudanças de posição para alavancar marchas para cima e para baixo.

Enfim , a saga continua….!

A busca do seu “rápido” particular…. , o “eu ligeiro” , como é conhecido na análise fundamentalista Freudiana…

Seja este “eu” , um fato , ou uma ficção….!

Sobre Eduardo MOTOHEAD Aiello

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