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Eu vejo gente morta

Não, não tenho nenhum dom mediúnico como o Cole (Haley Joel Osment) no filme “O Sexto Sentido” (direção M. Night Shyamalan, 1999).

As pessoas que vejo mortas estão espalhadas (às vezes literalmente) na malha viária de São Paulo. Eu vi dois motociclistas mortos ainda no asfalto em um período de cinco dias. Uma visão triste que nos faz pensar se vale a pena usar uma motocicleta.

A motocicleta deveria ser a síntese da liberdade. O sol batendo no seu corpo, o vento nos refrescando e a vontade de ir para qualquer lugar. Quantas vezes saímos com a motocicleta sem rumo e sem planejamento?

Utilizar a motocicleta nos centros urbanos tem se tornado cada vez mais perigoso e na maioria das vezes a culpa é do próprio motociclista.

Trafegar em altas velocidades entre os carros praticamente parados é o maior e mais comum erro do motociclista.

Vou citar uma situação real:

São Paulo, Marginal Pinheiros às 9:00hrs sentido zona sul. Os carros trafegando entre 0 e 40 km/h por causa do transito intenso.

As motocicletas trafegam nos corredores dentro do limite de velocidade, ou seja, 90 km/h. Nenhuma infração está sendo cometida, afinal estamos dentro do limite de velocidade.

De repente um carro, o décimo quinto na fileira da esquerda (a 75 metros) olha no retrovisor e vê a motocicleta pequenina pelo espelho, então tenta mudar de faixa e fica parado no meio do corredor.

O motociclista vê a situação (ainda a 90 km/h) e fica na dúvida se o carro conseguirá ou não sair, passa-se 2 segundos até que ele decida que vai frear o mais forte possível. O problema é que nestes 2 segundos a motocicleta percorreu 50 metros (90km/h = 90.000 metros, 1 hora = 3600 segundos, então 90.000/3600 = 25 metros por segundo).

Uma motocicleta utilitária (grande maioria no transito) com a manutenção em dia (pneus e freios neste caso) percorre 40 metros para frear a 90 km/h. Com somente 25 metros separando o motociclista do carro a sua frente só resta rezar.

Mais uma situação real:

São Paulo, Marginal Tiete às 19:00hrs sentido zona leste. Transito congestionado trafegando a no máximo 30 km/h.

Os corredores nesta via são estreitos e normalmente mudamos de faixa buscando um “buraco” para passar entre os caminhões e veículos.

Eis que o motociclista vê um destes “buracos” entre dois caminhões. A primeira vista o espaço é suficiente para a motocicleta passar, mas surge um problema, um dos caminhões vê um buraco na pista e desvia. A motocicleta é um veiculo pequeno, o caminhão é enorme e tem pouca retrovisão. A motocicleta bate na lateral do caminhão e cai debaixo da carreta. O motorista nem percebe o que aconteceu devido a pouca massa da motocicleta/piloto e vai embora.

Estes dois exemplos são muito comuns, e em ambos os casos a culpa foi do motociclista que se expos ao perigo sem necessidade.

Isso tem nome: PREVISÃO, que nada mais é do que “pré-ver” o que pode acontecer em cada uma das situações e assim assumir uma postura defensiva no transito.

A motocicleta por ser pequena e frágil deve ser conduzida com cuidado e temos que pilotar para nós mesmos e para os outros. O que para um carro significa uma pequena avaria no para-choque, para motocicleta e piloto pode significar meses de hospital e fisioterapia ou mesmo a morte.

Lembre-se, dez minutos de transito não vale o risco de não voltar para casa, ver seus pais, sua esposa e seus filhos.

Sobre Claudinei Cordiolli

Analista de Negócios formado pela Unibero, empresário no ramo de ERP´s para o setor Imobiliário. Participação em diversas provas de Enduro no final da década de 1990 e início dos anos 2000 mudou para a pilotagem esportiva onde continua pilotando (mas não competindo) até hoje. Apaixonado por Fotografia fez trabalhos para diversos sites e para o Jornal Diário de São Paulo. Hoje faz fotografia esportiva para a Taça São Paulo de Supermoto e trabalhos de freelancer. Atual colunista do site Motonauta para a seção de Avaliações e alguns editoriais sempre apresentando ao público sua opinião sem ter o "rabo preso" com nenhum fabricante ou marca.

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5 comentários

  1. Rose Brittus

    Muito bom seu texto, parabéns. Que desperte a consciência aos que compartilham da leitura e estes a multipliquem. Abraço

  2. Muito obrigado Marcelo e bem vindo

  3. Olá Claudinei,meu primeiro acesso aqui no Motonauta,e já me deparo com um belo e coerente texto,não tenho nada a acrescentar ao que foi dito,apenas parabenizar pela qualidade do texto!

    Abraço!

  4. Muito bom o artigo! Realmente, esse tipo de motociclista kamikaze é o que engrossa as estatíticas dos acidentes e provoca a má-fama dos demais.. isso sem contar os aumentos de custos de seguros, saúde, previdência, etc..

    Nenhum compromisso, trabalho, ou seja lá o que for, justifica pilotar com tamanha irresponsabilidade e “sem noção”, como vemos diariamente em nosso trânsito.

    Com dito no texto, temos que pilotar por nós e pelos outros…

  5. É esse tipo de consciência que falta para os motociclistas. Ando de motocicleta todos os dias e hoje me preocupo mais com outras motos do que com os carros, porque os caras estão sem noção nenhuma e é mais fácil de prever a ação de um carro do que de uma moto. Arriscam a própria integridade física e também não se importam com a de quem está à sua volta.

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