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… Faça a sua parte …

Tá difícil? Vai a pé! … Qual a sua cota?

Nesta discussão sobre mobilidade urbana leio e ouço muito falatório, mas vejo pouca gente realmente dando alguma contribuição válida. Por isso achei fantástico encontrar um velho amigo fotógrafo que disse ter trocado o carro e a moto pelo ônibus. Isso mesmo, ele transporta cerca de R$ 5.000 em equipamento fotográfico dentro de uma mochila e pega ônibus em SP. Claro que não vou contar quem é, mas a atitude dele é louvável e ainda explicou que usa uma mochila bem velha, remendada, para não despertar interesse dos trombadinhas.

Ele também revelou que evita horários e linhas congestionadas e não é todo dia que recorre à dupla metrô/ônibus. Quando coincide de ser um horário sossegado e regiões menos tumultuadas vai de coletivo. Se tiver urgência, vai de scooter e quando precisa transportar muito equipamento vai de carro.

Já faz tempo que nós, fotógrafos da era analógica, descobrimos que as câmaras compactas resolvem grande parte das necessidades de qualquer repórter fotográfico. Em muitos casos o fotógrafo leva um caríssima e sofisticada câmara só para impressionar o cliente. E funciona! Mas hoje em dia os equipamentos compactos têm a vantagem de não dar bandeira e é perfeitamente possível fazer um bom trabalho levando pouco equipamento.

Decidi experimentar essa tática do meu velho amigo: fui de ônibus!

Havia tanto tempo que eu não pegava um ônibus que entrei pela porta errada. Depois, ao perceber o erro, usei uma estratégia que adotava quando fazia alguma burrada muito grande no exterior: dei uma de estrangeiro, joguei um monte de moedas na mão do cobrador e voltei para o lugar certo.

Ainda falta um pouco de organização nos transportes coletivos. O metrô é uma beleza e qualquer estrangeiro se locomove facilmente, mas os ônibus em SP são muito bagunçados e faltam informações sobre itinerários. Um turista estrangeiro terá muita dor de cabeça para se locomover aqui e outras grandes cidades, menos Curitiba, onde tudo funciona.

Mas não é de transporte público que quero escrever e sim de atitudes. Nós estamos vivendo a era do grande desafio da mobilidade urbana. Além das dificuldades naturais do excesso de veículos, temos de conviver com os problemas agregados como poluição do ar e queda na qualidade de vida em geral.

Primeiro é preciso entender que o Brasil entrou numa parábola crescente de desenvolvimento econômico que vai continuar por mérito ou inércia ainda por muitos anos. E que a conseqüência deste crescimento é o acesso a um dos bens de consumo mais festejados do brasileiro que é o automóvel. E mais recentemente, a moto.

Além disso, desde os anos 50 o Estado brasileiro apoiou sua economia na chegada das grandes fábricas, sobretudo de automóveis, caminhões e seus derivados. Pode parecer uma teoria da conspiração, mas aposto meus rins como a deficiência do transporte público, o esquecimento das opções de transporte ferroviário e hidroviário e a falta de investimento na malha viária tem muito a ver com a nossa dependência financeira das montadoras.

Imagino o seguinte diálogo entre executivos de grandes multinacionais do setor e o Estado brasileiro: “OK, nós montamos fábricas no seu país, investiremos centenas de milhões de dólares por muitos anos, mas queremos garantias de que vamos vender bastante!”. Entre as “garantias” está este insano e inexplicável modal de transporte de carga sobre rodas (e pneus). Um país com a geografia do Brasil não utiliza trem nem navios! Até a Áustria, encravada nos Alpes, transporta carga e pessoas por trem!

Depois de 60 anos dependentes da indústria automobilística, sobretudo nos últimos 15 anos com a chegadas de novos fabricantes e importadores, como vamos convencer o Estado a oferecer meios de locomoção que substituam os carros, motos e caminhões? Não dá!

Por isso chegou a hora da atitude. Fazer aquele trabalho do beija-flor que tenta apagar o incêndio na floresta sozinho. Quando uma coruja viu aquilo e indagou se ele realmente acredita ser capaz de apagar o fogaréu, ele simplesmente respondeu: “não, mas estou fazendo a minha parte”.

Fazer a sua parte significa buscar alternativas para amenizar o caos na mobilidade urbana. E neste trabalho as empresas precisam acordar para ao anacronismo que representa contratar alguém para trabalhar oito horas por dia diante de um computador, algo que este empregado poderia fazer dentro de casa, com metas, organização e sem tirá-lo do lugar.

Ou então a crueldade que significa impor quatro horas por dia de deslocamento em transportes coletivos, sendo que o gerente de recursos humanos da empresa poderia dar prioridade a quem mora perto do endereço da empresa. Os profissionais de RH olham todas as qualificações, mas esquecem de verificar o endereço.

No século 21 é sensato que as empresas adotem uma política distrital de recursos humanos. Olhem em volta, visitem as faculdades e pensem em deslocar as pessoas o mínimo possível.

Tem muita empresa de grande porte que faz propaganda se proclamando “responsável ambientalmente”, mas considera como ambiente só aquele espaço abstrato de floresta onde vivem araras azuis e jacarés. Minha rua também é meio ambiente. A avenida Paulista também é meio ambiente.

É como a família que tem um tremendo cuidado com o lixo reciclável, com formas sustentáveis de consumo, mas quando vira as costas a empregada doméstica passa a manhã toda varrendo a calçada com uma mangueira como se água fosse um bem menor! A dona da casa ensina até a reutilizar a água da máquina de lavar roupa e louça, mas ao sair a empregada joga tudo no ralo e abre a mangueira…

O exemplo do meu amigo fotógrafo é surpreendente por se tratar de um esforço semelhante ao do pequeno colibri. Se cada um fizer uma pequena parte, um pequeno esforço, tudo em volta melhora. E nem pense em esperar ajuda e incentivo da administração pública.

Nesta luta do beija-flor contra o fogo na mata, o papel do Estado tem sido de incendiário!

 

by Geraldo TITE Simões
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(11) 5681-4518 ou 9478-7351

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