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Home Sweet Home !

Andar em casa é praticamente um estado de espírito.

É mais que dormir na sua cama, comer comida da sua mesa, e fazer um circuito que você já conhece. É muito mais.

É uma operação de multiplicação. Não uma simples soma de fatores. Sei lá… Talvez, elementos intangíveis como o entusiasmo, a confiança, a segurança e tudo o mais, potencializem os ditos fatores “reais”, transformando o rolê do nosso “quintal”, quase sempre, numa ocasião especial.

Há anos atrás, tínhamos um “circuito” de rolê, que beirava os 30 quilômetros, de uma ponta a outra. Um circuito em linha, de infinitas curvas.

Andei com vários compadres lá, durante muitos anos. Os “estrangeiros”, sempre insistiam na idéia de que conhecíamos todas as curvas de cor. Honestamente, eu não.

Talvez algumas, mas, em quase 30 quilômetros, com alterações sistemáticas e, em média, duas ou três passagens “rápidas” por mês, era impossível decorar tudo.

Tá certo que eu não sou referencia. Não presto atenção em quase nada. Sigo o traçado e, na curva seguinte, já esqueci do que passei. Alguns caras são mais sistemáticos. Competitivos!

Estes, talvez, prestassem atenção na seqüência. Mesmo assim, acho pouco provável que tivessem todos os movimentos pré-concebidos. A gente anda melhor em casa por razões que fogem ao explicável.

Evidentemente, muito quintal não faz bem pra ninguém. A experiência dos “momentos difíceis” contribui muito para uma formação mais …“completa”.

Já passei por inúmeros maus bocados andando noutras bandas. Muitas foram as vezes que voltei pra casa, à base de analgésicos. Agradeço cada uma destas oportunidades em que me dei bem mal. Aprendi com cada uma delas. Elas ainda acontecem. Ainda tenho muito que aprender.

Esta, dentre tantas outras, é a vantagem de quem segue o cronograma das competições itinerantes, onde as etapas são realizadas em lugares distintos, sempre.

Nós, “free-riders” temos mais é que ter isso na cabeça, variando os rolês sempre que possível, procurando manter certo nível de condicionamento mental, relativo à auto-confiança e à capacidade de concentração em ambientes desconhecidos.

O fato é que o canavial continua a ser o nosso céu e o nosso inferno. Árido e hostil. Rápido e seguro.

Lembro-me de um passado não muito distante em que nossos rolês eram uma feira. Um pomar de laranja era a primeira parada. Lembro-me das laranjadas no braço, na entrada das curvas… Tudo por dentro… !

Uma laranjada na mão, uma posição no pelotão…!

Lembro-me da rapaziada toda sentada no chão, com um ou dois canivetes, trabalhando no revezamento. Laranja doce de doer. Lembro das mãos meladas nas luvas e do canivete enferrujado, emperrado de “açúcar”.

Na época da laranja e da manga, a gente usava melhor os cursos de nossas suspensões … Canaviais não têm curvas de nível “bicudas” como os pomares de frutas tinham…! Saudades…!

Outra parada obrigatória era o pomar de manga. Lembro-me de sentar embaixo daquelas enormes sombras, rodeado de “bikes” e “brothers”, detonando várias, na unha, como índios, como crianças. Era legal….! Bem legal….!

Mangas e laranjas foram a ultima onda, antes do domínio da taquara doce. Deve ter sido legal, quando o tomate, a goiaba e o mamão estiveram por lá. Soberanos.

Enfim, crescemos treieiros. Como tantos. Na cana. Nossa praia. Nossa terra. Nosso álcool …!!!!

Isto nos deixou saudades dos velhos tempos, mas, trouxe também coisas boas. Com a vinda da cana, foram-se os arames farpados e as cercas. Foram-se também os tratores. Estes, só aparecem por lá duas ou três vezes por ano, como uma comitiva que passa, e vai. Foi-se também o movimento dos colonos, que se mudaram.

Nesta época do ano em especial, depois de meses de chuva, o negócio lá fica cascudo. “Sessions” de retas curtas e infinitas curvas, cortadas aqui e ali pelos enormes rasgos de erosão. Coisa fina!

O lugar instiga a andar, mas, ao mesmo tempo, exige alguma técnica, pra passar pelas cavas “rápido”, de preferência, sem tirar muito a mão … Ninguém sai muito tempo do chão, mas é comum ouvir as ignições cortando giro e, os pneus dos ponteiros, têm cravos laterais bem “arredondados”…!

A cana, em qualquer lugar, sugere um padrão muito propicio pra fazer o que a gente mais gosta. As “ruas” são largas, em razão do maquinário cada vez mais “bruto”, que se utiliza.

Os atuais tratores traçados articulados fazem verdadeiras avenidas. As curvas moldadas pelos enormes pneus são como calhas. Perfeitas!

A sombra das plantas altas delimita o trecho no horizonte. Assim, é possível seguir o traçado metros à frente, acompanhando o “rasgo” na cultura.

Quando vem a época da colheita, duas alterações fazem do mesmo circuito, algo totalmente novo. A ausência de “barreiras” visuais faz com que se possa enxergar o traçado quilômetros à frente. Nesta ocasião, a velocidade aumenta consideravelmente. Não há curvas “cegas”…. vê-se tudo à distancia…!

Por outro lado, a palha seca no chão espreita os incautos e faz o caboclo pensar muito bem antes de por a bunda no banco. Escorregar na palha a 80/90 quilômetros por hora … é roça! Literalmente.

Adoro as oportunidades de andar na serra. O visual, o ar fresco, as águas, a mata. Gosto também do pasto, do trilho fundo de boi e dos barrancos sinuosos. Isso é divertido …!

O reflorestamento também é massa! Praticamente um canavial, com a vantagem da sombra permanente e a desvantagem da resistência dos materiais … Bater em árvore dói…! Também curto os campos de altitude, com a pedraria, a vegetação baixa, o frio e a vista maravilhosa. Gostaria de poder estar num destes cenários a cada semana.

Enquanto isso não acontece, agradeço a Deus todo o findê e a cada vez que chego num canavial. Com suas escoras naturais, seus múltiplos pontos de ultrapassagem, todo o “grip” do mundo e, nada em que se possa colidir de forma comprometedora.

Home Sweet Home … !!!

Sobre Eduardo MOTOHEAD Aiello

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