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Idéias Colombianas – Emplacando mais uma lei!

A vossa excelência Sr. Dr. Governador não anda sossegado quando o assunto é moto e motociclista.

Com o provável veto ao genialíssimo projeto que poderia proibir a condução de uma moto com garupa nos dias úteis, agora nosso paulista líder pretende obrigar-nos a vestir o colete-placa, ou seja, um colete onde consta, em letras garrafais, a placa da moto. A alegação é um furo lógico e qualquer bípede com QI de dois dígitos pode entender esse mal disfarçado truque.

A esfarrapada desculpa é que em Bogotá tal medida foi adotada para minorar a violência urbana. Meia verdade, meia mentira e um tiro de grosso calibre nos dois pés. Bogotá é a capital da Colômbia, país que está lutando bravamente contra terroristas narcotraficantes. O problema da violência urbana em Bogotá é muito mais complexo que a situação em São Paulo, pois há esse componente social, de alta periculosidade, que atende pelo nome de FARC.

A adoção do tal colete é apenas uma medida dentre outras inúmeras tomadas pelo governo colombiano para controlar e diminuir a violência urbana. A medida mais corajosa foi, de fato, enfrentar o crime de peito aberto e com coragem, mandando para a cadeia os criminosos.

Mas nosso polianesco governador acredita piamente que a adoção do tal colete pode reduzir a criminalidade, sem a necessidade de medidas mais corajosas e enérgicas no combate ao crime.

É como comprar uma caixa de chocolates belgas, escrever por cima da caixa a palavra “alface” e daí por diante comer despreocupado pois, afinal de contas, alface não engorda.

Vamos ilustrar a situação:

Dia 12 de dezembro de 2011, data que será marcada para sempre na memória de uma garota motociclista. E não é por conta de uma boa notícia ou agradável acontecimento, mas pelo desespero que passou na Rodovia Raposo Tavares.

O resumo do fatídico dia foi uma experiência traumática, arma no rosto, gritaria, humilhação e a perda de um bem, uma moto Kawasaki ER-6, cujas partes poderão ser adquiridas facilmente à partir do dia 14 nas “boas” lojas do ramo no centro de São Paulo.

Se a senhorita estivesse com seu licenciado colete, o que impediria o meliante de também surrupiar-lhe tal elegante vestimenta, uma vez que já está levando a moto, o capacete, a carteira, a mochila, o celular e a dignidade? E que força oculta do universo poderia impedir o tranqueira de seguir feliz e lacrado para “fazer uma fita” com a moto roubada?

Em outra mão temos a óbvia conclusão de tal colombiana idéia:

Se em um país assolado pelo terrorismo tal medida extrema foi necessária, por que não em São Paulo? É um silencioso estado de sítio, onde uma parcela da população precisa carregar a identificação nas costas. O crime tomou proporções gigantescas e não pode mais ser tratado como tal. Eu também concordo Sr. Dr. Governador, não acredito mais em crime, prefiro o termo terrorismo.

Proponho um acordo:

Reconheça publicamente que o crime está vencendo, que vivemos no terror e que não há luz no fim do túnel. Em troca eu vestirei o uniforme do suspeito, o colete do sitiado e resignado circularei com minhas costas emplacadas.

Caros leitores motociclistas, vamos deixar de rodeios. A verdade é simples como uma pedra: Ninguém está de fato preocupado em diminuir a violência. As leis dificultam a detenção dos bandidos, criminosos são milionários e poderosos, seguradoras enchem os bolsos, alguns policiais mergulham no “arrego” e os outros tantos desanimam diante de tanta podreira.

O crime venceu e não vai ser uma porcaria de colete que vai resolver. Isso qualquer idiota sabe.

Mas o que ninguém percebeu é que números garrafais pregados em suas costas facilitam sobremaneira a vigorosa indústria das multas, noves fora que será você, otário de plantão, que terá que arcar com o compra do colete.

E podem contar que não será qualquer colete, mas um modelo exato, aprovado por esse ou aquele orgão, vistoriado e claro, bem caro para os padrões brasileiros. Tudo vai continuar exatamente como está. Nesse nosso Brasil o crime compensa e recompensa.

E fica a pergunta que não quer calar:

Eu tenho duas motos e três mochilas. E ando com minha esposa na garupa e ela também tem sua mochila. Claro que não posso deixar a mochila cobrir o colete, logo vou precisar identificar as mochilas, certo? Concluam…

Mas nós entendemos as autoridades e mais uma vez obedeceremos como mansos bovinos, afinal de contas a outra opção seria meter a bandidagem na cadeia. Mas talvez isso seja pedir demais.

Fabio de Andrade, empresário, motociclista e emplacado.

Sobre * Equipe MOTONAUTA

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5 comentários

  1. Aqui no Império da Corrupção é normal esperarmos propostas de lei bizarras como esta por parte dos políticos…

  2. Arthur Fróes

    Muito bom seu texto, Fábio. Parece que São Paulo corre na frente nesse quesito de leis contra os motociclistas. Nós viramos a bola da vez. E a mídia tem ajudado aos ratos, veiculando programas que, no mínimo, desencorajam o uso desse veículo tão mais adequado à melhoria do caos em que as cidades se transformaram, com o qual os que fazem as leis e autoridades em geral são também incompetentes para lidar.
    Porque será que as motos passaram a ser vistas como ferramenta de trabalho dos bandidos? Podem até ser, também, mas esse raciocínio esdrúxulo justificaria também a proibição dos automóveis, das bicicletas e até mesmo de sairmos todos às ruas.
    Acho que muito mais benefícios trariam os que se opõem às motos, se suas propostas fossem no sentido de educar, motociclistas, motoristas, pedestres; muitos votos a mais poderiam ter os camundongos de plantão que propusessem algo que incentivasse o uso desse veículo econômico, menos poluente, ágil, que ocupa pouquíssimo espaço nas vias públicas e que, ainda de quebra, proporciona um enorme prazer, que certamente esses geniais legisladores nunca tiveram (se é que eles sabem realmente o que é prazer).
    De minha parte, ficam meus votos para que o povo desse estado vizinho seja mais atento nas próximas eleições. Aqui no Rio de Janeiro, minha terra, ainda não chegamos a ter esse tipo de propostas. Os ratos daqui ainda não nos descobriram. Psss!

  3. fabio catelan

    hahahah todos nos poderiamos rir destas coisas um dia …. O pior que o governo esta sempre certo pelos olhos deles e nao adianta reclarmar se esta lei entrar ….. Como todas as outras .

  4. manter a bandidagem na cadeia, que jeito??? com o indulto de natal e ano novo!!!!É bandido na rua e a gente preso em casa!!!

  5. tudo isso é conseguência de voto errado

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