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Kasinski Comet GT 650 … avaliamos!

A palavra que me veio a mente logo nos primeiros 50 quilômetros com essa moto foi preconceito.

E quando o assunto é preconceito, sempre imaginamos um problema entre seres humanos. Mas alguns alimentam outros preconceitos, e pré-conceber a qualidade de uma máquina sem experimentá-la, por conta de sua origem ou pedigree, é quase lugar comum entre os motociclistas.

Quando o editor do Motonauta me escalou para testar a Kasinski GT650, sabia que estava entregando a moto em boas mãos, pois se é uma moto, deve valer a pena conhecer. Sem reservas. E valeu.

Essa proposta  da Hyosung, embora coreana, tem lá seu DNA japonês, fruto do trabalho em conjunto com a Suzuki. E pensando bem, se as ruas estão cheias de motoristas felizes com seus carros coreanos, por que seria diferente com uma moto?

A Kasinski GT650 é uma proposta interessante. Grande sem assustar, com pitadas esportivas e uma certa dose de divertimento. É uma naked com certas qualidades touring.

Um bate e volta até a Academia da Força Aérea em Pirassununga e mais alguns dias de uso cotidiano foram suficientes para perceber que a máquina, se bem domada, pode divertir a valer, dentro de seus limites.

Vamos as impressões …

Motor:

Uma configuração em “L” que privilegia as tocadas em baixas e médias rotações. Mesmo em sexta marcha, as retomadas são fortes e o motor responde bem. Percebe-se aí uma herança japonesa, pois esse motor tem um pé na cozinha nipônica, leia-se SV650 (que não existe no Brasil) e também a DL650.

E parece que dessa vez a Kasinski acertou o mapeamento para nossas condições. Apenas em baixas rotações é que sentimos o motor esvaziar e dar a sensação de que algo está errado. Mas é apenas uma sensação, pois é um motor para se andar cheio. E como enche rápido, fica confortável e deixa a moto na mão em ambientes urbanos.

O som pode incomodar alguns puristas mais nostálgicos, aqueles tais que se congelaram em 1974 e de lá jamais saíram. Eu achei um ronco agradável e por conta da refrigeração à água (o radiador é generoso) não senti nenhum calor incômodo nas pernas.

Freios:

A moto que foi testada estava praticamente sem o freio traseiro, por conta talvez de repetidas lavagens com óleo diesel. A sorte é que na estrada pude encontrar outro motociclista que também pilotava um modelo semelhante. Contei-lhe o ocorrido e sem mais delongas pude experimentar a outra moto. Descobri de cara que é necessário dosar muito bem o pé direito, pois para arrastar a roda traseira é muito fácil.

E o que estanca mesmo essa moto é o freio dianteiro, que não deixa nada a desejar para as outras concorrentes mais caras, afinal são dois discos flutuantes correndo ao meio de pinças radiais com quatro pistões cada. Pode alicatar sem medo, desde que uma coisa esteja bem resolvida…

Suspensão:

Quando peguei a moto senti que algo por ali não ia bem. Balançava, trepidava, perdia a frente … desci da moto, olhei o conjunto e me lembrei de uma frase que ouvi na aviação: Se é bonito, voa bem. Ora, parece um conjunto harmônico, o que será que está errado?

Acerto de suspensão. Já ouvi centenas de histórias e julgamentos equivocados sobre esse ou aquele modelo de moto, que moto tal balança, que tal modelo perde a frente….e sempre pergunto: Acertou a suspensão? Parece que falo coreano…

A GT650 não possui todas as regulagens que esperamos de uma racing, mas ora pois, ela não é uma racing. Na frente contamos com pré-carga e rebound, na traseira apenas pré-carga. Uma vez acertado o conjunto para o meu peso, nasceu uma nova moto. A mancha fica por conta do amortecedor traseiro, que poderia contar com ajuste de rebound (velocidade de retorno). Reduzidas mais fortes, freadas mais bruscas podem fazer a traseira bobear; mas nada que não se ´possa controlar.

Ciclística:

O quadro treliçado da GT650 é feito em aço e traz firmeza ao conjunto.

Uma vez acertada a suspensão e com pneus bons, a moto fica muito estável na reta. Até demais. Claro, a distância entre eixos é a responsável por isso. Ou seja, é uma moto comprida que privilegia a estabilidade. Não se faz omeletes sem quebrar os ovos. Para ter uma moto dócil que não assusta, perde-se a capacidade de fazer curvas mais ousadas. Ela demora um pouco para se deitar e essa característica exige certa atenção por parte do piloto. Um contra-esterço pode ser necessário se a idéia é descer uma serra tocando a máquina mais esportivamente.

Outra característica que também tem seus prós e contras é a altura em relação ao solo. Ótima idéia para vencer as infinitas lombadas de nossas cidades, mas subindo o centro de gravidade, eventualmente pode se perder um pouco a agilidade.

Ergonomia:

Desde que você seja o piloto, nada com que se preocupar. Mas quando o assunto é garupa a coisa complica.

Na verdade o que temos é uma posição Sport Touring, ou seja, calcanhar alinhado aos quadris, tronco levemente inclinado à frente e braços flexionados que comandam um guidão convencional, acima da mesa. Essa posição privilegia o uso dos joelhos e do corpo na dirigibilidade e permite eventuais levantadas do assento quando vemos que o buraco adiante é inevitável.

Para quem não está acostumado à essa posição pode ser um tormento nas primeiras voltas, mas depois que se acostuma fica uma delícia. Bem…eu sou suspeito, pois gosto muito desse estilo de pilotagem.

Uma vez tudo acertado, posição dos comandos,espelhos e punhos, tudo fica na mão.

O que fatalmente acontece com quem compra uma moto, seja nova ou não, é a falta de ajuste dos comandos para o tamanho do piloto. São poucas as lojas que oferecem esse serviço e orientam devidamente o consumidor.

Os pontos negativos ficam por conta do banco que poderia contar com uma espuma mais eficiente e no quesito bagagem, afinal são poucos os pontos disponíveis para se prender um elástico. Sem esquecer que participar de uma jornada como garupa pode ser uma experiência meio estranha…

Desempenho:

Foram pouco mais de 1000 quilômetros, mesclando uso urbano e estradeiro. É possível fazer essa moto beber como gente grande e fazer médias abaixo dos  16km/l. Mas também é possível médias acima dos 20km/l. É uma moto econômica? Isso é uma pergunta relativa. O correto é perguntar se a tocada do piloto é econômica, ou seja, respeitando as características da concepção da moto.

A velocidade máxima é assunto que não se toca no Motonauta. Ou seja, não ficamos enrolando o barbante para ver até onde chegamos,salvo quando o teste ocorre dentro de um autódromo, o que não é o caso nesse teste de uso.

Mas é uma moto divertida, e quando estamos a 120km/h, dá pra sentir que ainda tem lenha pra queimar embaixo do tanque. O cruzeiro vai tranquilo com o ponteiro balançando ali na casa dos 5 mil giros.

As retomadas e arrancadas são poderosas para uma 650, e a frente só não sobe fácil devido ao tamanho da moto.

Miscelânea:

O farol é muito eficiente, dá pra pegar uma estrada à noite tranquilamente, sem maiores receios.

O painel é muito completo, contando com tudo que é necessário, inclusive termômetro do arrefecimento, tudo digital, deixando o analógico apenas para o conta-giros.

Embora seja possível regular o brilho do painel em quatro níveis, mesmo no nivel mais baixo ainda atrapalha um pouco em estradas completamente escuras e sem tráfego.

Os espelhos são muito bons e dão conta do recado. Trocá-los seria apenas uma escolha estética.

Resumindo

Indiscutível na relação custo benefício e divertida dentro de sua concepção e proposta. E nesse caso o preconceito tem seu lado bom, pois enquanto certas nipônicas de média cilindrada vêm de fábrica com garantia (de furto ou roubo) quando o assunto é rodar na Grande São Paulo, essa coreana parece não ser ainda alvo principal dos meliantes e desmanteladores “osorianos”.

Mais informações clique aqui

Fabio Pligher / Motrix Moto Parts
www.motrixmotoparts.com.br

Sobre * Equipe MOTONAUTA

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8 comentários

  1. Troquei uma GTR 250 por uma GTR 650. Quem fala mal da moto ou não conhece ou não teve a oportunidade de usá-la. Vale pelo valor do investmento.

  2. radamés junior

    Boa tarde sr. alessandro tenho uma comet 250 gosto mto da moto mais a mesma me da muitos ploblemas do tipo na chuva falha para e nao liga , aceleração inconstante e agora começou a falhar e parou um cilindro vi um comentario seu no youtube a respeito do sistema de ignição , tem mais alguma dica para que eu possa fazer os reparos corretamente? agradeço desde ja fico no aguardo!

  3. Meus parabéns pelo sua avaliação sem preconceitos… Eu mesmo confesso que tive preconceito, pois a marca Kasinski não é tão falada quanto uma Suzuki, Honda e Yamaha… Mas pesquisando (já que não tenho idade para pilotar hehehe) e ouvindo o que um colega meu diz, uma Comet 250 GTR com certeza será minha primeira moto!

  4. 1ª avaliação de verdade que vi sobre a moto desde o seu lançamento… E sem preconceito mesmo, parabéns! Até hoje só tinha visto pseudo-avaliações efetuadas por testadores altamente tendenciosos! Essa moto pode melhorar, acredito que sim, mas vale o que se paga nela, ao contrário de algumas outras onde se paga pela marca, não pela moto…

  5. Simplesmente o “relato” mais sincero e honesto que já vi sobre uma motocicleta… parabêns pelo trabalho e vou repensar os meus “pré-conceitos”…

  6. O negocio e a estetica da moto e o acabamento dê uma olhada neste escapamento isso irritante ver em uma moto deste porte, o motor e feio pra caramba e esse radiador sem acabamento esse quadro parece que foi feito em fundo de quintal, enfim nao e preconceito. O pessoal da kasinski tem de esta atento por esses detalhes, dar atencao no acabamento coisa que as motos da marca nao tem. Agora referente a parte mecanica deixo para outras pessoas falar sobre isso.

  7. Tenho uma, e acho a moto um tanto “mole” em velocidades mais altas.Poderia compartilhar o Setup da suspensao dianteira que usou? Amortecimento e retorno? Obrigado e parabéns pela materia.

  8. Cristiano Passos Vilarino

    Boa avaliação, mas, fato é que ainda não temos confiança na marca….

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