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Mulheres no trânsito – de bike

Já tem tempo que desacredito nessas associações entre mulher e fragilidade. E a inspiração sempre foi minha mãe que enfrenta as dificuldades diárias com mais coragem, força e garra que muitos homens por aí. Largar o colinho dela não foi fácil e encarar a cidade grande – sozinha – menos ainda.

Na luta por uma rotina saudável, acabei trombando com a bicicleta e foi amor à primeira vista. Pedalar na cidade, como meio de transporte, me pareceu a idéia mais genial e idiota que tive ao mesmo tempo: ainda que parecendo óbvia a eficiência da bike em meus trajetos (de 10km no máximo) tava na cara também que ninguém apoiaria, pois o trânsito não é nada convidativo. Mas dane-se! Eu queria experimentar, sentir, formar opinião. E isso ninguém mudaria.

Comecei alugando aquelas bicicletas do Use Bike, no metrô, e fazia os caminhos nos finais de semana para conhecer rotas alternativas e perder o medo dos carros. Pouco tempo depois comprei minha primeira filhota (batizada de Amelie) e conheci os primeiros e fundamentais amigos da magrela – ela aproxima as pessoas. De lá pra cá os tempos de solidão (causados pela readaptação à cidade) e sedentarismo foram pro espaço! De quebra passei a admirar mais  São Paulo, ver beleza e vida onde só enxergava cinza e stress.

Confesso que sempre gostei de praticar esportes, mas utilizar a bike como principal meio de locomoção, definitivamente não estava em meus planos. O carro que ganhei de presente de formatura, perdeu espaço na minha vida e se transformou em outra bicicleta incrível (batizada de Benedito, é bike-menino sim), além de uma poupança no banco mais gordinha.

Fato é, gostar de esportes só ajudou na inquietação frente à acomodação tão estimulada hoje em dia, que fez e faz as pessoas largarem hábitos saudáveis, como caminhar e correr, para viverem atoladas numa bolha de metal pra ir até na padaria da esquina.

Sim, o trânsito de São Paulo é um caos, é perigoso, é machista e injusto. Não vou dizer o contrário, os jornais não deixam. Mas posso dizer com propriedade que É POSSÍVEL ser e fazer diferente!! Basta ter vontade, atitude e iniciativa. O simples ato de deixar o automóvel de lado e encarar as ruas da cidade com uma bicicleta tem força incalculável.

Representa o descontentamento com o modelo de sociedade estabelecido, representa a esperança que um dia o trânsito mate menos pessoas, representa a simples opção de querer me locomover do jeito que eu quiser. E se você prefere sair de carro, moto, ônibus, trem ou avião, respeite quem decidiu ir de bicicleta até o trabalho, escola ou parque. Por que a rua é de todos e o direito de ir e vir também.

Nesse contexto conheci as Pedalinas – coletivo de meninas que pedalam urbanamente em SP – e fez toda a diferença trocar experiências com garotas que sentem os mesmos prazeres e dificuldades que eu. Nos reunimos todo primeiro sábado do mês, a partir das 14:30 na Praça do Ciclista.

Fico feliz a cada nova bicicleta que cruzo, mas fico radiante quando em cima dela tem uma mulher. Espero poder influenciar mais e mais meninas que, assim como eu, acreditam e querem uma vida mais legal, alegre, cheia cores e amigos!

Cada um escolhe por quais rumos seguir e que caminhos trilhar.

E independente da opção: Eu vou de bike!

Aline Cavalcante
Ciclista, jornalista, nasceu em Brasília mas é sergipana de coração.
Faz pós em Jornalismo Multimídia, mora em São Paulo há 2 anos, é integrante do
CicloBR e da Associação de Ciclistas Urbanos de SP (Ciclocidade), e luta por uma cidade mais humana.
Pode ser contatada no e-mail
pedalinee@gmail.com e no twitter @pedaline

Sobre * Equipe MOTONAUTA

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Um comentário

  1. Eduardo Gianini

    Gostei muito dessa matéria, ainda mais por se tratar da coragem dessa nova ciclista na guerra contra o uso desordenado de carros na cidade de SP, gostaria de ver mais matérias relacionadas a bike no Motonauta, embora o site seja sobre motos, vale a pena colocar a bike como opção na cabeça das pessoas para conseguirmos um trânsito melhor um dia.

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