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TITE … um jornalista que sabe tudo e mais um pouco de motociclismo

Entrevista dada ao jornal AUTO SHOW

Você escreveu certa vez que as exigências para tirar habilitação no Brasil são inócuas. Entregar carteiras pelas ruas surtiria o mesmo efeito…

Tirar habilitação de moto no Brasil e ridículo. Os·instrutores são mal instruídos. Por exemplo: é muito comum eles orientarem os alunos durante as aulas para não utilizarem o freio dianteiro, só o traseiro. Até porque, durante o exame, se o aluno usar o freio dianteiro, será reprovado. Oras, acontece que o freio traseiro não corresponde a nem 20% da frenagem. O freio da frente e o principal. Então o aluno receberá carta, vai para a rua e, por seguir os·conselhos equivocados dos instrutores bate na traseira de um carro. Como pode? É um absurdo.

Adotar o exemplo do Japão, onde o aluno realiza provas específicas para cada tipo de moto é o ideal?

O Japão e o melhor exemplo mundial neste aspecto. Lá pelos anos 60, o índice de acidentes no país era muito alto, pois tinham muitas motos em circulação que, além de deixarem a desejar na tecnologia de freios e suspensão, ainda eram pilotadas por pessoas pouco instruídas. O que eles fizeram? Criaram treinamentos específicos para cada categoria de moto. Se a pessoa utiliza scooter para deslocamentos urbanos só recebe treinamento para este tipo de veículo. Afinal, pra que aprender uma coisa que não usará? E o nível de exigências para tirar carta é alto. O candidato precisa demonstrar até mesmo que tem força para levantar sua moto do chão, em caso de queda.

Já na Europa, o mais comum é a habilitação por faixa etária e por cilindrada. Um jovem de 14 a 16 anos, por exemplo, só pode dirigir um ciclomotor. Dos 16 aos 18, uma soooter ou até uma 125 cc e, depois dos 18, se passar por um exame bastante difícil, pode dirigir qualquer moto.

É importante que a pessoa escolha sua moto de acordo com o seu tamanho?

Sim. Um sujeito grande· em cima de uma moto pequena pode ate danificá-la porque não é feita para suportar tanto peso.

O contrário também. Um sujeito pequeno em uma moto grande dificulta al gumas manobras em baixa velocidade. Além disso, numa queda com a mota parada, as vezes nem é possível levantá-la. Falta força. O ideal e comprar uma moto que case bem com o seu biótipo.

Em matéria de segurança, colete airbag é uma realidade?

Eu testei e achei muito pesado, desconfortável para um país quente como o nosso. Mas é o caminho para o futuro. Só precisa aprimorar. Aliás, a aplicação de airbag em motos será cada vez mais comum.

Tira uma curiosidade. O preço do capacete influencia na sua eficiência? Ou qualquer capacete certificado pelo Inmetro é igual?

De jeito nenhum. Em uma queda, estes. capacetes vendidos a R$50 oferecem a mesma proteção de um boné (risos). Isto porque a avaliação do Inmetro é equivocada. Eles jogam um peso em cima da peça para determinar a resistência do produto. Mas isto só comprova que protege o indivíduo de objetos que se projetem contra ele. O problema é que num acidente de moto, o capacete é que vai contra o solo, não o contrário. Este capacete que temos aqui, provavelmente, não seria aprovado internacionalmente.

E se eu comprar um capacete importado, da melhor qualidade, mas sem o selo do Inmetro, não posso utiIizá-Io aqui.

Isso (risos).

Qual a participação dos carros nos acidentes?

Por incrível que pareça, hoje a relação entre motorista e moto é muito melhor do que era nos anos 70, porque tem tanta moto, que os motoristas se acostumaram a presença delas. Agora, é fato que São Paulo não é uma cidade para motociclista novato. É muito perigosa. Uma coisa que ainda não aconteceu por aqui é os motociclistas entenderem qual o espaço deles nas vias. Andar no corredor, entre os carros, nem é o maior problema. O que precisam e aprender a se manter no campo de visão dos carros. Por exemplo,andar numa velocidade baixa na pista da esquerda é um perigo, e muita gente faz. Ali, a chance de levar uma batida por trás é grande, pois a moto é estreita, e fica despercebida pelo resto dos condutores.

Geraldo Tite Simões iniciou sua carreira de repórter a convite de Reginaldo Leme, o principal comentarista de automobilismo da Rede Globo atualmente e que na época possuía um jornal impresso especializado no assunto. Com tempo e experiência de quem pilota moto desde os 12 anos, Tite se transformou num dos mais respeitados jornalistas do setor. Escreveu sobre motociclismo para sites, revistas e jornais, meio onde, aliás, mantém uma coluna semanal até hoje no Diário de São Paulo.

Extraido do MOTITE sob autorização.

Sobre Geraldo TITE Simões

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Um comentário

  1. Gosto e concordo muito, com a coerência e sensibilidade do Tite, sobre motociclismo. Ele aborda o motociclista e a moto em um contexto geral de cidadania e não como simples produto na vitrine.

    Parabéns pelo artigo.

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