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Tomates verdes fritos

Na terra do tomate, Sandro Hoffman fez “molho” da concorrência.

“Eu acho que já vi esse filme antes”. A conhecida frase deve ter ficado na mente de todos, público e competidores, que estiveram presentes ao III Enduro do Tomate, realizado nos dias 27 e 28 de abril nos municípios de Miguel Pereira e Paty do Alferes (RJ).

A prova, que marcou a abertura do Estadual de Enduro do Rio e válido pela terceira e quarta etapa da Copa Sudeste, consagrou mais uma vez o nome de Sandro Hoffman no lugar mais alto do pódio. Mesmo enfrentando uma concorrência de peso – nomes do calibre de Eduardo Tadashi Shiga e Jomar Grecco – Hoffman confirmou o favoritismo e levou a categoria Master do Tomete 2010.

Favoritismo esse que já era uma aposta de Adriano Winckler, um dos organizadores da prova: “Temos alguns dos melhores pilotos do Brasil aqui no Enduro do Tomate. Apontar um favorito é sempre difícil mas acho que o Sandro, por ser líder do Brasileiro, vai ser o favorito para vencer a prova”.

Adriano comentou, também, o fato de uma mulher (Roberta Senna, de Minas, categoria Novatos) estar alinhada entre os mais de 150 pilotos inscritos: “Pra nós foi uma surpresa. Eu acho difícil o enduro para mulheres, porque em certas passagens você tem de “carregar” a moto, usar força física. Mas estamos vendo um crescimento da participação feminina. No Independência do ano passado já haviam três inscritas, coisa que há quatro anos atrás não havia”.

Um problema sério enfrentado na semana do evento foi a desistência da prefeitura de Miguel Pereira em arcar com os custos da prova, em parceria com a prefeitura da vizinha Paty do Alferes. Sobre esse fato, Winckler comentou: “com a redução do orçamento nós tivemos que adequar o evento a essa nova realidade, ajustar algumas coisas. Perde um pouco do brilho, mas não deixa de acontecer”.

Arame farpado

Hoffman fechou o primeiro dia do Tomate em primeiro lugar na categoria, com 850 pontos perdidos. Mesmo com um ferimento no ombro direito, provocado por um encontro indevido com arame farpado, o capixaba mostrou que com ele não se brinca: foi “pras cabeças” e garantiu o lugar mais alto do pódio.

Mais um título numa carreira que, segundo ele, tem um “combustível” todo especial: “Passei por uma fase muito ruim nos últimos 2, 3 anos. Hoje encontro força na minha família, esposa e a filha”. Que, por sinal, marcaram presença no evento, tanto fisicamente quanto na imagem plotada nas portas traseiras da van da equipe do campeão.

Para 2010, além da busca pelos resultados, Sandro também planeja focar mais nos cursos de pilotagem: “Em abril, ou maio, já estarei com o curso novo pronto. Pretendo passar um pouco da minha experiência pra esse pessoal que quer aprender”.

Aliás, “família” é o termo que melhor se aplica ao Enduro do Tomate. Para todo lado que se olhava nos parques fechados o clima era de absoluta camaradagem, com pilotos trocando informações sobre calibração de instrumentos, discutindo aspectos do percurso ou conversando animadamente entre eles, bem como as famílias dos pilotos também se integrando ao evento.

Um fato ressaltado por Eduardo Matias, também organizador do evento: “Nossa estrutura foi toda pensada não só no piloto, mas também em sua família. O Tomate é uma família, e queremos não só o piloto, mas também a família presente aqui”.

Entre os pilotos havia uma expectativa para o Extreme Test, uma prova a parte. No Centro de Exposições de Avelar (RJ) foi montada uma pista com vários obstáculos de varias graus de dificuldade. Embora valesse premiação, serviu mais para os pilotos relaxarem e se divertirem com suas motos enfrentando as subidas e poças de lama do percurso.

Confira os outros vencedores da prova em suas respectivas categorias:

  • Sênior – Pablo Gaburro (ES)
  • Junior – Cláudio Ferreira Jr. (MG)
  • Over 40 – José Alexandre Tommaso (RJ)
  • Over 50 – Sérgio Xavier (RJ)
  • Duplas – Abel Jr. e Fábio Lasa
  • Novato – Saule Bernardi

REPÓRTER VERDE FRITO

Fui para o Enduro do Tomate através de um convite feito por e-mail pela organização da prova. Finalmente, depois de oito anos, chegava a minha hora de ser jornalista, fazer valer o diploma e meu registro profissional. Sai “com a cara e a coragem” de Santos rumo ao interior do Rio, pronto para o que desse e viesse.

A primeira surpresa foi entrevistar Sandro Hoffman. Confesso: me surpreendi com a simplicidade e simpatia dele. Muitos na condição dele já teriam subido num pedestal de ouro com uma placa de “MANTENHA DISTÂNCIA” no peito, mas ele não. Falou de si, das conquistas, dos rivais, da família. Conversa rápida, mas extremamente agradável.

No dia marcado para a minha segunda estréia, lá estava eu, devidamente “pilchado”, como se diz no Sul, com um equipamento cedido pela organização da prova: calças de trilha, joelheiras, cotoveleiras, capcete, óculos e botas. Equipo usado, mas ainda com muita lenha pra queimar. Vestir tudo aquilo me custou uns bons 20 minutos mas saí do vestiário me sentindo a versão tropical do Homem de Ferro. Incrível como aquele aparato todo, depois de pouco tempo, se molda ao corpo. A calça que usei tinha lá seus “ferimentos de guerra”, mas era mais confortável que muita roupa sob medida que vesti na vida.

Tudo pronto, expectativa, conheci meus colegas de categoria, os instrutores… e nada. A moto não deu as caras e fiquei por lá mesmo. Quero ressaltar a total ausência de culpa dos organizadores da prova neste aspecto. Não soube e preferi não saber o que rolou. Talvez fosse um sinal. Já não ando de moto há quase dois anos desde que minha Falcon foi roubada. Pior, nunca fiz uma trilha sequer, nem no jardim de inverno do prédio onde moro. Por enquanto, piloto apenas o teclado nas trilhas de uma matéria. E estamos conversados.

Aí veio a segunda surpresa da cobertura. Adriano Winckler conseguiu uma moto para mim. Uma TT-R 230 pertencente ao piloto de numeral 303, que havia torcido o pé num cabo de aço solto na trilha. Dei umas bandas com ela pelo parque fechado e pela pista do Extreme Test. Coisa rápida, só pra desopilar a abstinência motociclística.

No fim de tudo, consegui a foto que fecha essa matéria. Anotem esse nome: Mateus, 13 anos, filho do Neném, morador de Avelar. O menino entrou na pista do Extreme Test com essa Biz e mostrou que pode render um bom caldo com um equipamento adequado e a devida orientação. É pra você, Mateus!

E assim voltei pra Santos. Cansado, com fotos na máquina, entrevistas numa fita cassete, kit de piloto e muita história pra contar. Não mais verde, nem mais frito. Mas sim repórter.

Sobre * Equipe MOTONAUTA

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2 comentários

  1. Muito bom mesmo, meu nobre Motonauta! Continue assim!

    Abrax,

    Severo

  2. Parabéns a matéria ficou exelente! Que venham mais, e mais como estas.

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