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Uma moto é roubada a cada sete minutos no Brasil

Por que roubar motos é mais vantajoso do que roubar carros? Qual o destino das motos roubadas?

Todo cuidado é pouco!

O tempo que você vai levar para ler este artigo uma moto terá sido roubada no Brasil e talvez o motociclista tenha sido ferido ou morto em mais uma tentativa de assalto envolvendo motocicletas.

Indo direto ao assunto: só em São Paulo são roubadas cerca de 100 motos por dia o que dá uma média de um roubo a cada 15 minutos. Se você juntar o que é roubado no Brasil terá um número duas vezes maior, o que daria uma moto roubada a cada 7,5 minutos. Tal número coloca as motos em segundo lugar entre os veículos mais roubados no país. O pior é que na medida em que cresce o mercado de venda de motos, cresce em proporção ainda maior o mercado de motos roubadas e de venda de peças sem procedência.

Os números que muitos não gostam de mostrar…

Não existem estatísticas precisas, pois o banco de dados relativos à insegurança pública (é este mesmo o nome) não fornece informações dos roubos de motos seguidos de morte ou feridos por ser péssimo para a imagem dos políticos.

Estimativa de uma fonte da própria polícia que pediu para não ser identificada dá conta de que a cada 10 roubos ou tentativas de roubos de motos, cerca de 5% acabam feridos ou mortos à bala. Se são roubadas cerca de 71 mil motos por ano no Brasil e desses, cerca de três mil e quinhentos motociclistas  ou acabam feridos ou mortos teremos uma média diária nacional de aproximadamente nove motociclistas feridos ou mortos em assaltos ou em tentativas de assalto no Brasil. Se analisarmos o número de motocicletas vendidas no Brasil com o número de motos roubadas anualmente (71 mil) poderemos prever que quase 5% das motos fabricadas, anualmente no Brasil, serão roubadas Ou seja: de cada 20 motos , uma será roubada e desmanchada.

O prejuízo decorrente com motos roubadas no Brasil representa cerca de 11% do total arrecadado pelo DPVAT.

Novas posturas dos motociclistas!

É necessária uma mudança de postura tanto de lojistas como de motociclistas. Não esperem pelo governo, pois ele pouco pode fazer se o hábito de comprar peças sem nota fiscal e sem procedência não mudar.

Eu aprendi em marketing que, se existe quem queira comprar algo, vai sempre existir alguém que vá atrás de conseguir o que o mercado procura para poder ganhar dinheiro. Isso não é diferente no segmento de motos roubadas. Enquanto existir quem compre sempre existirá o jogo de ‘gato e rato’, com grande vantagem para o rato.

Mas para onde vão as motos roubadas?

A maioria das motos roubadas segue três caminhos possíveis:

Desmanche – São imediatamente desmanchadas e as peças vendidas ou trocadas por droga e armas.  A troca de motos por droga acontece principalmente nas regiões de fronteira do Brasil com Paraguai, Bolívia e Venezuela. Nestes lugares as motos também podem ser trocadas por armas. A venda das peças de motos desmanchadas é feita para lojas de interceptação ou para ferros-velhos.

Transplante – As motos são transplantadas integralmente para um novo quadro. Acontece principalmente com motos de maior cilindrada. Neste caso a moto roubada é totalmente desmanchada e as suas peças colocadas em outro quadro. Isso, na maioria das vezes, ocorre quando alguém sofre um acidente de moto e não tem o dinheiro suficiente para consertar, então a melhor forma é roubar outra igual, de mesmo ano e modelo para realizar o transplante. O quadro é jogado fora e a moto nunca mais é encontrada.

Descaso e corrupção de autoridades – As motos são utilizadas em cidades do interior ou locais sem nenhuma  fiscalização. Como não existe fiscalização no interior, principalmente no Nordeste, Norte e uma boa parte do Centro-Oeste, tal situação passa despercebida ou fica ao desleixo e elas viram Pokémons (motos roubadas, com busca e apreensão rodando disfarçadas em locais sem fiscalização). Existem ainda os casos de motos roubadas e transformadas em motos de trilha, sem placa, para poderem ser usadas neste tipo de esporte. Já soube de situações, em São Paulo, onde um grupo de motociclistas Off Road foi abordado na trilha e todas as motos e equipamentos foram roubados. Deixaram os caras simplesmente de calças. Em outra situação os chassis são adulterados e a documentação esquentada para que a moto circule sem o menor problema, da mesma forma que uma moto legalizada.

Por que roubar motos é mais vantajoso do que roubar carros?

Uma moto sempre passará despercebida (a não ser que seja uma das bem caras) e em alguns poucos minutos pode ser totalmente desmanchada. Um policial que atua no combate a veículos roubados me disse que o tempo decorrido entre o roubo e o desmanche total de uma moto de baixa cilindrada não passa de 40 minutos.

Dependendo da organização da quadrilha as peças estarão preparadas e embaladas para poderem chegar ao interceptador em até duas horas desde o momento do roubo. Eu não me contive e fiz uma pergunta absurda: – “É possível, caso eu tenha minha moto roubada, acabar comprando uma peça que era dela?” A resposta foi um seco – “sim”.

A Honda domina a lista das dez mais, pois é a marca que domina o mercado (de acordo com números da Fenabrave, 79,6% das motos vendidas de janeiro a novembro são da Honda).

AS DEZ MOTOS MAIS ROUBADAS NO BRASIL*

Modelo Número de Casos
Honda CG 125 20.875
Honda CG 150 11.513
Honda CBX 6.277
Honda NXR 150 5.000
Honda C100 4.639
Honda Biz 4.014
Yamaha YBR 3.881
Yamaha Fazer 2.332
Honda XR 1.833
Honda NX-4 1.793
* de Janeiro a Novembro
Fonte: Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde Suplementar e Capitalização (CNseg)

Os casos de roubos/furtos de motos esportivas e de luxo têm ganhado destaque na imprensa. No dia 29/10, um casal que viajava com uma Honda CBR 1000 RR foi morto a tiros após tentativa de assalto na Avenida dos Bandeirantes, em São Paulo. A polícia civil considera essa como uma das vias mais visadas pelos ladrões de motos na cidade. Mas existem outras vias que também apresentam risco: Marginal Pinheiros; Avenida Aricanduva; Rodovia Anhanguera; Rodovia Bandeirantes; Rodovia Castello Branco; Avenida Mutinga; Avenida Rio Branco com a Avenida Duque de Caxias; Avenida São João; Rua General Osório; Rodoanel Mário Covas.

Os roubos vão parar? Não, infelizmente.

O combate ao mercado negro de peças é muito fácil e depende apenas de fiscalização das receitas estaduais. Mas não acontece na velocidade que deveria e muito menos com a mesma frequência. O pior é que a corrupção ainda estimula mais esse comércio. Se a lei fosse mudada e a venda de peças sem procedência enquadrasse também, quem a fizesse, no crime de suspeita de roubo e interceptação de peças roubadas além de crime fiscal, muito do cenário atual seria mudado.

Esse tipo de ação combinada com a fiscalização feita pelos próprios motociclistas vai reduzir muito a área de abrangência tornando o negócio ainda mais arriscado para quem rouba motos. O maior trunfo que temos é a nossa união, coisa que não existe entre motoristas de carros e caminhões com a mesma intensidade. Se fizermos apenas – eu disse APENAS – a nossa parte, o resto começa a andar sozinho.

by

Luis Sucupira
Jornalista, publicitário e documentarista desde 1988, blogueiro e colunista do Fórum PCs. Motociclista há 25 anos foi fundador do MC Guerreiros do Sol. Palestrante sobre temas relacionados a motociclismo, mototurismo, marketing e vendas.

Sobre * Equipe MOTONAUTA

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Um comentário

  1. Francisco Campos

    Se observarmos, o número de motos roubadas é proporcional ao número de motos produzidas, de onde se conclui que, não existe moto mais roubada ou menos roubada que outra. Todas são procuradas pelos melhantes. Evidentemente, não estamos seguros com qualquer moto que seja.

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