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Vamos de bonde, barca e bicicleta

Bonde vem de “bond” (título en inglês), que era como os operadores estrangeiros dos tramways chamavam as passagens do sistema de transporte. Daí, por associação, o veículo ganhou esse nome no Brasil. Nos países hispânicos, o bonde é “tranvía” e na Europa é simplesmente “tram”, uma abreviatura de tramway. São Paulo chegou a ter 350 km de trilhos de bondes até meados de 1950, Belo Horizonte tinha quase 80 km e assim por diante em todo o Brasil, até o desaparecimento dos trilhos urbanos, nos anos 1960.

A novidade é que o bonde elétrico está voltando ao continente sul-americano, agora com o pomposo nome de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Primeiro foi Buenos Aires, que implantou o Tranvía Premetro em 1987, o Tranvía de la Costa (1995) e o Tranvía de Puerto Madero, em 2007. E agora, ou melhor, em 2014 duas cidades brasileiras – Santos (SP) e Cuiabá (MT) – devem iniciar as operações de seus bondes modernos, segundo prometem os governos de São Paulo e Mato Grosso.

Nos dois casos, os sistemas terão o caráter de metrôs leves, já que circularão por vias isoladas, com mínima interferência do tráfego de veículos, e terão capacidade de transportar entre 12 a 15 mil passageiros por hora, nos horários de pico. O VLT de Santos aproveita o antigo leito da ferrovia Sorocabana, que segue até Itanhaem, sugerindo um possível sistema de transporte que atenda à demanda diária de viagens por todo o litoral sul paulista. O de Cuiabá, uma das obras para a Copa de 2014, carrega consigo a possibilidade de finalmente estruturar o transporte público na região metropolitana, entre a capital e a vizinha Várzea Grande. É uma promessa e esperamos que tenha futuro.

Deixamos o bonde e pegamos aqui o barco lançado ao rio pelo arquiteto e urbanista Alexandre Delijaicov durante o II Fórum Mobilize, em abril deste ano. Trata-se de um modelo de transporte baseado na integração entre bicicleta, barca e bonde, “bom, bonito e barato”, frisou o professor em sua palestra. Delijaicov é professor da FAUUSP e autor do projeto do Hidroanel Metropolitano de São Paulo, sistema que permitirá o transporte de cargas e passageiros pela região através dos rios e represas que circundam a capital. Uma ótima ideia que vale para cidades como Porto Alegre, Rio de Janeiro, Cuiabá, Manaus, Salvador, Belém e, claro, Recife.

Mas Delijaicov, ele mesmo também é usuário contumaz da bicicleta em suas viagens urbanas. E defende um modelo de transporte que integre bicicletas (públicas e particulares) com barcas de passageiros e também com uma rede de terminais de bondes.

A proposta é sair a pé, tomar uma bicicleta pública, pedalar até a estação dos barcos, seguir navegando até o destino ou descer e pegar uma nova bicicleta, ou um bonde até o ponto de chegada. Todas as combinações imaginadas são possíveis, inclusive ônibus em vez de bondes, mas estes são mais silenciosos, confortáveis, seguros e limpos.

Além dos três bês, nós do Mobilize incluiríamos a caminhada, forma de transporte que dispensa toda essa traquitana, mas que exige calçadas boas para se andar. Enquanto os bondes e as barcas não chegam, o jeito é usar a cabeça. Antes de sair de casa ligue o cérebro, consulte o mapa, a previsão do tempo, e escolha as formas de transporte que você terá de usar durante o dia. E boa viagem!

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Marcos de Sousa
Editor do Mobilize Brasil

Vamos de bonde, barca e bicicleta

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